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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Os Efeitos Do Treinamento De Força Na Musculatura Do Ombro


Sabemos que muitas pessoas, treinadas ou não, sofrem de dores/incômodos nos ombros. Traduzindo em números 7 à 27% dos indivíduos abaixo dos 70 anos de idade e 13.2 à 26% dos indivíduos acima dos 70 anos de idade sofrem desse problema. O treinamento de força pode ser usado tanto para prevenir como reabilitar algumas lesões oriundas dessa região.


Cientistas Australianos testaram várias pessoas que nunca executaram exercícios específicos para a musculatura dos ombros (especificamente o manguito rotador – conjunto de 4 músculos que ajudam na estabilização dessa região). Essas pessoas foram divididas em 2 grupos; um grupo que treinou 3 vezes por semana especificamente para o manguito rotador e um grupo que não treinou especificamente para essa musculatura.


Os pesquisadores também tinham como objetivo avaliar a perda de força nessa musculatura após um período de redução desse treino específico. O treinamento durou 12 semanas e foi seguido de um período de redução que também durou 12 semanas.


Os testes aconteceram antes, durante e depois desses períodos. Os resultados mostraram que o grupo que não treinou especificamente para o manguito rotador não mostrou ganhos de força nessa região, sendo que o grupo que realizou o treinamento específico obteve melhoras de força nessa musculatura.


A diminuição de 3 para apenas 1 vez por semana de treino específico (redução do treinamento específico) foi capaz de manter os ganhos de força obtidos durante o período em que o treinamento ocorreu com uma freqüência de 3 vezes na semana.


Os pesquisadores concluíram que tal programa específico serve para ganho e manutenção de força, além de prevenirem contra lesões, que são muito comuns nessa região, como também contribuírem na reabilitação da musculatura dessa região.


Dicas do Professor:


Como mencionado previamente nesse blog, muitas pessoas ativas sofrem de dores no ombro, dores que evoluem para lesões mais sérias e que muitas vezes tornam-se casos cirúrgicos.


Isso se dá devido ao fato de que o treinamento dessas pessoas ignora uma construção de um alicerce mais estável nas regiões mais susceptíveis a lesões, como é o caso do ombro.


Um trabalho de estabilização no manguito rotador e ganho de flexibilidade na articulação do ombro deve preceder um trabalho mais intenso de força. Isso fará com que o ombro suporte, de maneira mais segura, cargas mais intensas.


Está sentindo alguma dor e/ou incômodo no ombro avise imediatamente seu professor. Não permita que essa dor e/ou incômodo evolua.


Fontes:


Clin Biomech (Bristol, Avon). 2000;15 Suppl 1:S42-5.


Reumatismo. 2009 Apr-Jun;61(2):84-9.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Treinamento De Força Em Superfície Instável


Você já treinou assim? Sabe da importância?

Há vários exemplos, seja na vida diária ou em atividades esportivas, em que exercemos força em superfícies não muito estáveis para o nosso corpo.

Segundo pesquisa realizada no Canadá, a instabilidade pode diminuir o resultado da força de um músculo, porém mantém o músculo altamente ativado.

A manutenção dessa alta ativação muscular no tronco e nos membros enquanto fazemos força em superfícies instáveis, aumenta as funções estabilizadoras de nossos músculos. O aumento nesse estresse associado com a instabilidade promove maiores adaptações neuromusculares, como diminuição das co-contrações, melhora na coordenação muscular e maior confiança na realização de determinada tarefa.

Além disso, o aumento na ativação muscular com menos estresse nas articulações e nos músculos também pode ser benéfica para a saúde músculo-esquelética, como também para reabilitação.

No entanto, a menor produção de força em decorrência da superfície instável pode funcionar de forma negativa para ganhos absolutos de força quando praticamos o treinamento de força. Ainda, alguns estudos mostraram um aumento da co-contração durante o treinamento em superfícies instáveis.

Os efeitos positivos do treinamento em superfícies instáveis para melhora de performance em determinado esporte em específico, segundo os autores, ainda precisam ser melhor quantificados.

Segundo esses autores, a literatura sugere que quando estamos planejando um programa de treinamento de força para saúde dos músculos ou para reabilitação, devemos incluir exercícios em superfícies estáveis e instáveis. Isso proporcionará uma ênfase tanto na força (superfície estável), quanto no equilíbrio e coordenação (superfície instável), estressando o sistema neuromuscular de maneira eficaz e completa.

Fonte: J Strength Cond Res. 2006 Aug;20(3):716-22.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Aumento De Força Nos Músculos Da Região Do Quadril Diminui O Risco De Lesão Na Corrida



Essa pergunta vai para você, praticante de corrida: Você se utiliza do treinamento de força para, além de melhorar sua corrida, ajudar na prevenção de lesões?

Pois bem, um estudo realizado pela University of Northern Iowa – EUA examinou minuciosamente os movimentos e a atividade muscular na região do quadril em uma tentativa de determinar se um aumento de força nos músculos dessa região afetaria (e de que forma) a mecânica de corrida nos membros inferiores.


Fizeram parte do estudo 15 mulheres saudáveis que foram testadas antes, durante e após um período de intervenção tanto quanto na força, como na amplitude de articulação do quadril.

A intervenção consistiu em um programa de treinamento para o fortalecimento do quadril como também no ganho de amplitude dessa articulação.

Foi apresentado um aumento de força e de amplitude articular nos abdutores e rotadores externos do quadril o que conseqüentemente levou a uma mudança (re-distribuição mais eficiente) de carga nessa articulação, o que, segundo os autores, pode reduzir o risco de lesão.

Tal intervenção pode também, segundo eles, ser usada na reabilitação de lesões nos membros inferiores.

Fonte: Clin Biomech (Bristol, Avon). 2009 Jan;24(1):26-34. Epub 2008 Nov 14.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Eficácia Do Supino Reto Executado Em Superfície Instável No Ganho De Força Em Mulheres


O uso da bola suíça como plataforma para o treinamento dos membros superiores vêm ganhando muita atenção recentemente. Porém, a eficácia desse tipo de treino ainda continua pouco estudada.


Por isso, pesquisadores do Ithaca College, nos EUA, decidiram avaliar, através da execução do Supino Reto, a influência de plataformas (estável – banco vs. instável – bola suíça) no ganho de força, na capacidade de trabalho/execução e na força abdominal em mulheres.


As mulheres foram aleatoriamente dividas em 2 grupos durante 3 semanas; (1) Grupo que executou o Supino Reto em superfície estável e (2) Grupo que executou o Supino em superfície instável.


A plataforma não teve influência no ganho de força, porém a capacidade de trabalho/execução foi, inicialmente, 12% menor no grupo que executou a atividade em superfície instável.


Em resposta ao treinamento, os dois grupos apresentaram melhora (sem diferença entre os grupos) no ganho de força e na capacidade de trabalho/execução.


Ambos os grupos também melhoraram a força abdominal frontal, sem diferença entre eles. Porém, não houve melhora na força abdominal lateral.


O estudo concluiu que a superfície instável (no caso, a bola suíça) é uma plataforma eficaz para a execução do Supino Reto.


Fonte: Int J Sports Med. 2007 Oct;28(10):829-35. Epub 2007 May 11.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A Influência Do Core Training Na Cinética Da Corrida, Na Estabilidade Da Parte Inferior Do Corpo E No Desempenho De Corredores De 5k


Apesar de muitos acreditarem que os músculos estabilizadores ajudam no desempenho atlético, poucos estudos científicos foram realizados para a identificação da efetividade do Core Training no desempenho esportivo.


Pesquisadores da Barry University, nos Estados Unidos, buscaram estudar os efeitos de 6 semanas de Core Training nos seguintes aspectos:



(1) Força de Reação do Solo
(2) Estabilidade da Parte Inferior do Corpo
(3) Desempenho de Corrida


Para o estudo foram recrutados 28 indivíduos saudáveis e ativos, sendo aleatoriamente distribuídos em 2 grupos; (1) Grupo do Core Training (realizaram o Core Training durante 6 semanas e (2) Grupo Controle (não realizaram nenhum treinamento específico para o Core).


Após o período de 6 semanas, os pesquisadores puderam concluir que o Grupo do Core Training mostrou tempos mais rápidos na corrida de 5k, apesar de não haver direrença entre a força de reação do solo e a estabilidade da parte inferior do corpo entre os dois grupos.


Foi concluído também que o Core Training pode ser um método efetivo de treino para melhorar o desempenho de corredores.


Fonte: J Strength Cond Res. 2009 Jan;23(1):133-40.


quarta-feira, 4 de março de 2009

O Papel De Um Programa De Estabilização Integrado Em Pacientes com Dor Lombar


Devido a resultados inconstantes em pesquisas relacionadas a programas de treinamento de estabilização em decorrência da variação de métodos usados nesses experimentos, cientistas britânicos resolveram avaliar a eficácia de um programa de estabilização integrado em pacientes com dor lombar.


Tal programa contou com uma progressão de exercícios que começa com o trabalho isolado dos músculos estabilizadores, passando para exercícios mais complexos com a utilização simultânea e coordenada de dois ou mais músculos estabilizadores.


57 sujeitos divididos em 2 grupos: grupo controle e grupo de intervenção, participaram do estudo. Sendo que o grupo controle não participou de nenhum exercício específico para estabilização e o grupo de intervenção participou, durante 6 semanas, de um programa de treinamento de estabilização de 3 estágios de maneira individualizada.


No primeiro estágio a ênfase foi dada em exercícios posturais e ativação dos músculos estabilizadores. O segundo estágio buscou progressão dos exercícios para os músculos estabilizadores. Finalmente, o terceiro estágio enfatizou técnicas específicas.


Os cientistas puderam concluir no final do experimento, que o programa de estabilização integrado reduziu significantemente a dor e a limitação de movimentos dos sujeitos pertencentes ao grupo de intervenção. Sendo que tais participantes descreveram que a experiência foi extremamente positiva.

Complement Ther Clin Pract. 2008 Nov;14(4):255-63. Epub 2008 Jul 26.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Lesões No Ombro De Praticantes de Atividade Física: Um Problema Constante



Problemas no ombro decorrentes da prática inadequada da atividade física são constantemente relatados na literatura e é comum observamos isso em praticantes de academia. Foi pensando nesse problema que cientistas da Flórida – EUA sentiram que havia necessidade de estudar e descrever os riscos de lesões no ombro pertinentes à prática da atividade física.


A articulação e as características dos músculos do ombro de indivíduos freqüentadores de academia foram investigadas para determinar adaptações específicas relacionadas a riscos que podem ocorrer para esses participantes.


Noventa pessoas participaram do estudo, sendo que 60 foram submetidas a diversos exercícios para membros superiores e as outras 30 não foram submetidas a nenhum exercício ou estresse para essa mesma região do corpo.


As variáveis analisadas pelos cientistas foram:


- Amplitude de movimento na articulação do ombro
- Tensão na parte posterior do ombro
- Peso corporal ajustado para os valores de força
- Comparação de força dos músculos agonistas/antagonistas entre os grupos de pessoas


Após a análise estatística dos dados constatou-se:


1 – O grupo de 60 pessoas que participaram de exercícios para os membros superiores diminuiu a mobilidade de todos os movimentos dos ombros (exceto na rotação externa, que foi maior para o grupo de 60 pessoas), comparado com o grupo das outras 30 pessoas.


2 – Os músculos agonistas/antagonistas se apresentaram mais fortes para o grupo de 60 pessoas, porém demonstraram desequilíbrios musculares maiores do que os apresentados para o grupo que não se exercitou.


Tais fatores sugerem que os participantes de atividade física que se exercitam inadequadamente estão predispostos a desequilíbrios de força e mobilidade no ombro como resultado de seus treinamentos. Tais desequilíbrios estão relacionados com problemas/lesões no ombro de indivíduos “normais” ativos e também nos atletas. Então, esses desequilíbrios colocam essas pessoas em risco de lesão no ombro.


Esse problema todo recai no tipo de treinamento que é prescrito a esses indivíduos. A maioria dos treinamentos contém exercícios para grandes grupos musculares, feito de forma multi-articular (ex. Supino), e, na maioria dos casos, o treinamento para os músculos estabilizadores dessa região (ex. Manguito Rotador) é totalmente inexistente.


Portanto, a seleção dos exercícios de uma maneira progressiva é de extrema importância. Não significa que a pessoa não possa estar executando o Supino, por exemplo, significa apenas que ela deve se preparar para poder executar esse (e outros mais complexos) exercício de forma segura.


Deve-se optar, então, por exercícios que atenuam esse desequilíbrio de força e mobilidade visando a prevenção de lesões.


Os responsáveis pela prescrição do treino devem considerar os estresses biomecânicos e as adaptações associadas aos não-atletas praticantes de atividade física quando estão prescrevendo-lhes exercícios, principalmente para as regiões mais suscetíveis a lesões, como a região do ombro.


Fonte: J Strength Cond Res. 2009 Jan;23(1):148-57

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Core Training: Uma Estratégia Eficiente No Diagnóstico E Na Prevenção De Lesão



Atualmente, vêm sendo observado um aumento da ausência de trabalhadores em decorrência a diversos tipos de lesões, pois realizam suas funções em posições desconfortáveis e posturas inadequadas.


Tendo em vista tal cenário, pesquisadores da University of Arizona, realizaram um estudo para avaliar se o Core Training ajudaria na prevenção de tais lesões decorrentes de posturas inadequadas.


Uma bateria de testes para movimentos funcionais foi aplicada em mais de 400 bombeiros. Os testes de movimentos funcionais foram correlacionados com as lesões desse grupo. A partir daí, eles criaram e aplicaram treinos físicos para a melhora da flexibilidade e força nos músculos estabilizadores.


Os pesquisadores constataram que o tempo perdido com as lesões foi diminuído em 62% e o número de lesões em 42% em apenas 12 meses. Esses dados foram comparados com um grupo controle de muitos anos.


Esses resultados sugerem, portanto, que a melhora na flexibilidade e força dos músculos estabilizadores através de treinamento físico específico para esse propósito previne lesões em trabalhadores cujas funções envolvem estarem em posições e posturas inadequadas.


Fonte: J Occup Med Toxicol. 2007 Apr 11;2:3

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Core Training Para O Swing Do Golfe


O Core Training está se tornando imprescindível entre golfistas profissionais, entre eles, o astro Tiger Woods


Randy Myers, que tem trabalhado com a pontuação de jogadores do PGA e LPGA e agora é diretor de fitness em um resort na Geórgia, EUA, ajudou a desenvolver o Programa GolfPilates no PGA Resort, em Palm Beach Gardens, Florida. Ele diz: “levantar 50 kg em 10 repetições vai proporcionar força e resistência, mas não do tipo necessário para fazer um jogador bater na bola”. Na verdade, músculos encurtados impedem o swing imprescindível para o golf.


Sean Cochran, Personal Trainer do golfista internacional Phil Mickelson, diz que esse tipo de treinamento junto com o levantamento de peso é bastante utilizada pelos jogadores de elite. Os melhores golfistas têm os membros inferiores fortes e estáveis e membros superiores flexíveis e móveis. O swing dos jogadores deve progredir partindo dos membros inferiores, passando pelo tronco, depois ombros e por último chega aos braços.


Para imitar essa seqüência, a maioria dos amadores geralmente precisa trabalhar os músculos e seu centro de força, o core. Faltando força e flexibilidade nessas áreas, o jogador amador compensa usando os braços, o que prejudica o movimento do swing.


A prática regular Core Training desenvolve o core e a força funcional necessária para jogar bem.


As pessoas realmente treinam duro no golfe, mas não melhoram se não trabalharem o desenvolvimento físico. Sem o desenvolvimento do controle físico o corpo não pode fazer o que deve ser feito para um bom swing.


Fonte: Digest Pilates

terça-feira, 6 de maio de 2008

Pequenas atitudes que ajudam evitar problemas posturais

A postura é um fator importante no dia a dia, para que possamos evitar as dores musculares e articulares.

A má postura por si só causa dor, ainda mais se estamos realizando uma tarefa em situação de má postura, dormindo em colchão inadequado, e pior ainda, em posição incorreta.

Situações no dia-a-dia podem evitar diversos fatores que podem gerar lesões ou desvios que, juntamente com a dor, propiciarão desconfortos e problemas futuros.

A má postura pode ser evitada com simples atitudes que serão listadas abaixo:



  1. Ande o mais ereto possível, (imagine-se caminhando equilibrando um livro na cabeça) endireite seu corpo, olhe acima do horizonte ao andar.

  2. Evite dobrar o corpo quando, estando em pé, realizar um serviço sobre uma mesa, balcão, bancada, levante o que está fazendo.

  3. Quando estiver sentado, não cruzar as pernas, manter as costas retas, usar todo o assento e encosto.

  4. Dormir sempre de lado, com as pernas encolhidas, travesseiro na altura do ombro, não muito macio que mantenha a distância do colchão, usar colchões com densidade adequada a seu peso e altura. Para casais, existem colchões com densidades diferentes em cada lado. Cama com estrado firme, e que não deforme com o seu peso.

  5. Evitar levantar pesos do chão, acima de 20 % do seu peso corporal, abaixe-se como um halterofilista.

  6. Não colocar pesos acima dos ombros e cabeça em prateleiras altas, use um banco.

  7. Não carregue bolsas pesadas inutilmente, durante o dia todo. Não carregue bolsas de um mesmo lado, divida o peso, carregando com os dois braços.

  8. Evitar torções do pescoço ou do tronco, evite assistir TV e ler na cama.

  9. Evitar uso prolongado de sapatos altos, eles além de provocar dores nas costas por interferir no centro de equilíbrio do corpo (fig. 9)e conseqüente esforço muscular para equilibrar, (fig.9.a) também sobrecarregam a parte anterior no pé, provocando (especialmente se forem do tipo "bico fino") ou piorando o joanetes, provocando dores por sobrecarga nas cabeças dos metatarsianos (ossos da parte anterior do pé) e também tendinites.

  10. Evitar atender ao telefone ao mesmo tempo em que realiza outras tarefas, provocando torções excessivas e desnecessárias no tronco.




Em caso de dúvida ou continuação da sintomatologia, é recomendável buscar orientação profissional.


Fonte:

http://www.efdeportes.com/efd65/hernia.htm

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Exercício físico e função cognitiva: uma revisão

RESUMO

O exercício e o treinamento físico são conhecidos por promover diversas alterações, incluindo benefícios cardiorrespiratórios, aumento da densidade mineral óssea e diminuição do risco de doenças crônico-degenerativas.

Recentemente outro aspecto tem ganhando notoriedade: trata-se da melhoria na função cognitiva.

Embora haja grande controvérsia, diversos estudos têm demonstrado que o exercício físico melhora e protege a função cerebral, sugerindo que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de serem acometidas por desordens mentais em relação às sedentárias.

Isso mostra que a participação em programas de exercícios físicos exercem benefícios nas esferas física e psicológica e que, provavelmente, indivíduos fisicamente ativos possuem um processamento cognitivo mais rápido.

Embora os benefícios cognitivos do estilo de vida fisicamente ativo pareçam estar relacionados ao nível de atividade física regular, ou seja, exercício realizado  durante toda a vida, sugerindo uma "reserva cognitiva", nunca é tarde para se iniciar um programa de exercícios físicos.

Dessa forma, o uso do exercício físico como alternativa para melhorar a função cognitiva parece ser um objetivo a ser alcançado, principalmente em virtude da sua aplicabilidade, pois se trata de um método relativamente barato, que pode ser direcionado a grande parte da população.

Assim, o objetivo da presente revisão é o de discutir os aspectos associativos entre exercício físico e função cognitiva, permitindo uma ponderação entre o seu uso enquanto alternativa  e elemento coadjuvante.

Arquivo todo em

http://www.portaleducacao.com.br/arquivos/arquivos_sala/media/objeto_de_aprendizagem_funcao_cognitiva.pdf


domingo, 27 de abril de 2008

Controle Motor: músculos globais e locais

Hoje em dia controle motor é a nova “sensação” na área de reabilitação de pacientes com dor lombar crônica, problemas de ombro e também da articulação patelo-femoral (joelho).

Mas o que significa controle motor?

De uma forma simplificada, controle motor é a utilização dos músculos adequados/específicos para um determinado movimento ou função.

Em outras palavras, o sistema neuromuscular esquelético objetiva ser o mais eficiente possível com o recrutamento do menor número de músculos e unidades motoras necessários para uma determinada atividade.

Obviamente, um bom controle motor não só reabilita pacientes mas também previne lesões e melhora o rendimento de atletas.

Músculos globais e locais, também chamados de motores primários e acessórios ou geradores de torque (movimento) ou estabilizadores diferem entre si principalmente em relação a capacidade de produzir torque.

Torque nada mais é do que o produto entre força e a distância que essa força é aplicada em relação ao centro de rotação (T = F x d).

No caso do corpo humano o torque depende da força gerada pelos músculos (com influência também do sistema nervoso) e da distância que essa força é aplicada com relação ao centro de rotação da articulação.

Essa distância é chamada de distância perpendicular do músculo.

Tomemos como exemplo a articulação gleno-umeral (ombro). É de conhecimento de todos que os músculos do manguito rotador (infra-espinhal, supra-espinhal, redondo menor e subescapular) proporcionam estabilidade para essa articulação.

Esses músculos, além de apresentarem menor número de fibras (portanto menor produção de forca) se inserem proximalmante ao centro de rotação da articulação, diminuindo a capacidade de produção de torque significativamente.

Devido à pequena distância perpendicular desses músculos, suas linhas de ação proporcionam compressão da articulação, conseqüentemente proporcionando maior estabilidade. Isto caracteriza os músculos estabilizadores ou músculos locais.

Já os músculos: deltóide, peitoral maior, Latíssimo do Dorso e redondo maior são exemplos de músculos globais da articulação gleno-umeral.

A inserção desses músculos é mais afastada da articulação o que favorece a geração de torque devido a sua maior distância perpendicular.

De que forma esses conceitos básicos de biomecânica se aplicam ao treinamento físico?

Essencialmente, precisamos dos músculos globais para geração de torque para que possamos nadar mais rápido, ter um ataque mais potente no vôlei ou arremessar o dardo o mais longe possível.

Entretanto, se a articulação não for bem estabilizada pelos músculos locais a eficiência e a capacidade de produção de torque dos músculos globais será afetada, pois a articulação estará instável.

Maior instabilidade gera maior variância do centro de rotação da articulação, podendo acarretar lesões e diminuição do rendimento do atleta.

Baseado nos conceito apresentados acima e na minha experiência como preparador físico, acredito firmemente que o treinamento funcional (multidirecional) deve ser incorporado ao treinamento de atletas de alto rendimento, não apenas com o objetivo de prevenir lesões mas também de melhorar o rendimento do atleta.

Fontes:

Wendell P. Liemohn - Measuring Core Stability -The Journal of Strength and Conditioning Research: Vol. 19, No. 3, pp. 583–586.

Robert Stanton and Peter R. Reaburn; The Effect of Short-Term Swiss Ball Training on Core Stability and Running Economy - The Journal of Strength and Conditioning Research: Vol. 18, No. 3, pp.

Paul W.M. Marshall and Bernadette A. Murphy; Increased Deltoid and Abdominal Muscle Activity During Swiss Ball Bench Press - Journal of Strength and Conditioning Research, 2006, 20(4), 745–750 2006 National Strength & Conditioning Association

terça-feira, 15 de abril de 2008

Importância das curvaturas fisiológicas da coluna vertebral

As curvaturas fisiológicas da coluna tem a função de aumentar a flexibilidade e a capacidade de absorver choques e, ao mesmo tempo manter a tensão e a estabilidade adequada das articulações intervertebrais.

Em posição ereta normal a gravidade é suportada pelos arcos anteriores das vértebras, enquanto os arcos posteriores ficam livres de todo o peso, ou seja, o arco anterior tem a função de sustentação.

Sendo assim uma diminuição da curva lombar tem-se uma menor resistência à carga, que é descarregada nos arcos anteriores e nos discos intervertebrais, que ficam sobrecarregados e podem diminuir de espessura.

As curvaturas fisiológicas da coluna aumentam a resistência aos esforços de compressão axial; pois temos que a resistência de uma coluna é proporcional ao quadrado do número de curvaturas mais um.

Possuímos em nossa coluna vertebral três curvaturas móveis (lordose cervical, cifose torácica e lordose lombar) então sua resistência é dez vezes maior que uma coluna retilínea.

Outra forma de medir a importância das curvas fisiológicas da coluna é por meio do índice raquidiano de Delmas, que consiste na relação do comprimento entre o platô da primeira vértebra sacral até o atlas, e a altura entre o platô superior de S1 e o atlas.

Uma coluna vertebral com curvaturas normais possui um índice raquidiano de Delmas de 95%. Uma coluna que possua curvaturas acentuadas (indicativo de tipo funcional dinâmico) possui índice raquidiano de Delmas menor que 94%; e uma coluna com curvaturas pouco acentuadas (caracteriza um tipo funcional estático) possui índice de Delmas maior que 96%.

As curvas se tornam mais móveis quanto mais exageradas, e mais rígidas quanto mais retificadas e existe consenso na literarura que as vértebras de transição entre as curvaturas são normalmente as de maior mobilidade e mais susceptíveis à lesões.

No plano sagital existe quatro curvaturas na coluna vertebral: A mais superior é a lordose cervical, de concavidade posterior; em seguida temos a cifose torácica, de convexidade posterior; e a lordose lombar, de concavidade posterior; por último, temos a curvatura sacral fixa de concavidade anterior.

As cifoses têm a função de proteger os órgãos. Como é o caso da cifose craniana que protege o encéfalo, a cifose torácica que protege os órgãos da caixa torácica, cifose sacral que protege os órgãos da pelve menor, e por último temos a cifose do calcâneo.

As lordoses são diferentes das cifoses, e tem a função de movimento. Por esse motivo, anteriormente, nas lordoses existem músculos potentes. Como é o caso do reto abdominal na frente da lordose lombar, dos músculos flexores do pescoço na frente da lordose cervical, e dos quadríceps na frente do joelho.

As cifoses por serem regiões de pouca mobilidade, servem como ponto fixo das cadeias musculares, ou seja, quando os músculos se contraem eles se fixam nas cifoses para movimentar as lordoses, ou são encarregados de controlar os movimentos das lordoses.

Fontes: 

Okuno, Emico - Desenvolvendo a física do corpo humano. Barueri, SP: Manole, 2003

Settineri, L.C.I - Biomecânica. Noções Gerais. Rio de Janeiro, RJ: Atheneu, 1988

Wirhed, R. - Atlas de anatomia do movimento.  São Paulo, SP: Manole, 1986

Kapandji AI. Coluna Lombar. Fisiologia Articular vol. 3. 5ª ed. São Paulo: Guanabrara Koogan 2000

terça-feira, 8 de abril de 2008

Qual o efeito desejado?

Uma das mais importantes tendências contemporâneas na área de atividade física é a do planejamento do treinamento levando em conta as características do indivíduo e de suas atividades do cotidiano, avaliando as exigências diárias e prescrevendo exercícios que tenham impacto positivo sobre as diferentes capacidades necessárias para fazerem frente a essas demandas.

Dentre as diferentes capacidades neuromotoras, a FORÇA MUSCULAR é uma das mais importantes, e deve fazer parte de todo programa de treinamento.

Desnecessário dizer que mesmo nas atividades do cotidiano realizadas por indivíduos não envolvidos com esportes de competição, a força muscular tem um papel central.

Mas todo treinamento de força provoca efeitos similares?

Na verdade, há diferentes MANIFESTAÇÕES DA FORÇA MUSCULAR, cada qual respondendo de maneira diferente a um determinado estímulo de treinamento.

Se considerarmos um continuum que vai da força máxima à força reativa, poderíamos encontrar ao menos seis zonas claramente distintas, representando essas diferentes manifestações.

O que é interessante é a ausência de relação entre elas, o que faz com que a análise das demandas funcionais seja extremamente importante para que se selecione o tipo de treinamento de força mais adequado para cada pessoa.

Particular atenção deve ser dada à técnica de execução, monitoramento do tempo de execução, amplitude de movimento, sequência de exercícios, volume, repouso, respiração, postura correta, entre outras, pois as manifestações desta capacidade se diferenciam através desses fatores.

Qual a posição correta do meu corpo frente ao exercício realizado?

Em que velocidade devo executar tal exercício, em toda sua amplitude de movimento?

Estou respirando corretamente?

Qual o objetivo de três séries de 10 repetições?

Alguém já se preocupou com tais questões?


segunda-feira, 24 de março de 2008

Estabilizadores do tronco

Os exercícios abdominais tem sido prescritos como componentes de programas de condicionamento, reabilitação e prevenção de lesões da coluna vertebral entre outros.

Tradicionalmente os programas de exercícios abdominais, realizados nas academias enfatizam a força usando os músculos do tronco como “motores primários”, negligenciando assim, uma das mais importantes funções desses músculos que é a estabilização da coluna (Norris, 1995).

Recentemente pesquisas têm sido realizadas objetivando desenvolver novas formas de se fortalecer os grupamentos musculares responsáveis pela estabilização e manutenção da postura do tronco.

Fonte:
TRAINING THE TRUNK IN THE ATHLETE

JOHNSON, Paul .National Strength & Conditioning Association V 24, No 1, 2002