sexta-feira, 25 de abril de 2008

I.M.C versus R.C.Q.


Um amplo estudo tipo caso-controle, envolvendo 27 mil pessoas de 52 países, de todos os continentes, mostrou que a relação cintura-quadril (RCQ) é preditora mais forte do risco de infarto do miocárdio do que o índice de massa corpórea (IMC), mais usado internacionalmente.

O trabalho canadense mostrou que em qualquer etnia, nível de desenvolvimento do país, ou seja, qual for a característica do indivíduo, a RCQ é o marcador mais fortemente relacionado com o evento do primeiro infarto do miocárdio.

O índice de massa corpórea é um bom preditor de risco para doença cardiovascular.

No entanto, para análise do risco de infarto do miocárdio especificamente, a medida da cintura e, principalmente, a razão entre as medidas da cintura e do quadril (a RCQ) correlacionou-se mais fortemente com os eventos de infarto, não importando nem o sexo, nem a idade, região de origem e nem outros marcadores de risco para doença cardiovascular, como os encontrados em exames laboratoriais.

As pessoas com medidas da RCQ no maior quintil tinham 2,52 vezes mais chances de ter infarto, comparados com os que tinham medidas no primeiro quintil (p> 0,0001).

“Já o IMC estava apenas ligeiramente maior nos casos de infarto que nos controles”, comentaram os autores. Isso quer dizer que, além do peso inadequado para a altura, o lugar onde a gordura se deposita é importante.

“Nosso trabalho mostra que a RCQ é a medida antropométrica mais fortemente associada com o risco de infarto, e substancialmente melhor que o IMC. Nossos resultados sugerem que novas análises são necessárias sobre a importância da obesidade para a doença cardiovascular nas diferentes regiões do mundo”.

Fonte :

Yusuf S, Hawken S, Ounpuu S, Bautista L, Franzosi MG, Commerford P, et al. Obesity and the risk of myocardial infarction in 27,000 participants from 52 countries: a case-control study. Lancet. 2005;366(9497):1640-9.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Reabilitação cardíaca

Segundo a Organização Mundial da Saúde, reabilitação cardíaca é o somatório das atividades necessárias para garantir aos pacientes portadores de cardiopatia as melhores condições física, mental e social, de forma que eles consigam, pelo seu próprio esforço, reconquistar uma posição normal na comunidade e levar uma vida ativa e produtiva.

Há quatro décadas, quando esta definição foi estabelecida, os pacientes acometidos de infarto do miocárdio apresentavam grande perda da capacidade funcional, mesmo após serem submetidos ao tratamento daquela época, que implicava até 60 dias de repouso no leito.

Por ocasião da alta hospitalar, os pacientes encontravam-se fisicamente mal condicionados, sem condições para retornar às suas atividades familiares, sociais e profissionais.

 Os programas de reabilitação cardíaca foram desenvolvidos com o propósito de trazer esses pacientes de volta às suas atividades diárias habituais, com ênfase na prática do exercício físico, acompanhada por ações educacionais voltadas para mudanças no estilo de vida.

Atualmente, as novas técnicas terapêuticas permitem que a maioria dos pacientes tenha alta hospitalar precocemente após infarto, sem perder a capacidade funcional.

Excluem-se desta condição os pacientes com comprometimento miocárdico grave e instabilidade hemodinâmica, distúrbios importantes do ritmo cardíaco, necessidade de cirurgia de revascularização miocárdica ou outras complicações não-cardíacas.

 Nos últimos anos, foram descritos inúmeros benefícios do exercício regular para portadores de cardiopatia, além da melhora na capacidade funcional.

 A Sociedade Brasileira de Cardiologia em sua “Diretriz de reabilitação cardíaca” aborda o papel da reabilitação cardíaca com especial ênfase no treinamento físico, ressaltando os seus efeitos cardiovasculares e metabólicos, os seus benefícios, indicações e contra-indicações (ver referência).

Em relação aos aspectos operacionais da reabilitação cardíaca, recomendo a leitura da recente publicação da Sociedade Brasileira de Cardiologia “Normatização dos equipamentos e técnicas da reabilitação cardiovascular supervisionada” 

Fonte:

Arquivos Brasileiros de Cardiologia - Volume 84, nº 5, Maio 2005

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A inteligência emocional aplicada ao esporte

Atleta profissional precisa primeiramente conhecer suas emoções para então ter diferencial em seu trabalho
DO SITE
Cidade do Futebol


No livro “Inteligência Emocional”, lançado no Brasil pela editora Objetiva, o psicólogo Daniel Goleman classifica o controle emocional como o diferencial entre sucesso e fracasso na vida de qualquer um. Segundo o autor, “a incapacidade de observar nossos próprios sentimentos nos deixa à mercê deles”. Portanto, a preparação no aspecto psicológico pode ser um fator preponderante para o desempenho esportivo.

“A inteligência emocional caracteriza a maneira como as pessoas lidam com suas emoções e com as das pessoas ao seu redor. Isto implica autoconsciência, motivação, persistência, empatia e entendimento e características sociais como persuasão, cooperação, negociações e liderança. Esta é uma maneira alternativa de ser esperto, não em termos de QI, mas em termos de qualidades humanas do coração”, explica Goleman em seu livro.

Para um atleta atingir um estágio de inteligência emocional, contudo, ele precisa atender a cinco aspectos. Só a partir disso é que ele pode garantir que o lado psicológico não vai ter interferência em seu rendimento em campo.

O primeiro ponto fundamental para a inteligência emocional no futebol é o atleta conhecer seus sentimentos. As pessoas que se conhecem se sentem mais à vontade para tomar decisões e isso só acontece com um processo contínuo de atenção, paciência e dedicação.

Depois de conhecer suas emoções, o atleta profissional precisa saber lidar com isso. A inteligência emocional torna fundamental um controle da irritabilidade e da ansiedade, bem como uma aceitação perante aos problemas ou simplesmente sentimentos negativos.

Outro ponto importante para um atleta atingir um estágio de inteligência emocional é a capacidade de se automotivar. O esportista mais bem sucedido invariavelmente é o que consegue utilizar suas emoções para se aproximar das metas.

É só a partir do controle emocional e da manutenção da motivação que um atleta consegue reprimir a impulsividade e manter a meta como diretriz principal de sua carreira e sua vida.

O quarto aspecto fundamental para a inteligência emocional é a empatia (reconhecer as emoções dos outros). Segundo Goleman, aliás, essa é a aptidão pessoal mais importante para qualquer relacionamento.

A empatia gera altruísmo e faz com que as pessoas estejam muito mais suscetíveis aos problemas dos outros, sempre prontos para manipular as emoções de uma forma positiva.

Para terminar, o quinto ponto importante para a inteligência emocional é admitir as diferenças dos outros e aprender a conviver com essa diferença. A interação entre pessoas psicologicamente distintas sem que aja uma agressão (psicológica) entre elas é um desafio que só pode ser alcançado a partir de um comportamento que possibilite desabafar e ouvir sempre que preciso.

Bibliografia



FRANCO, Gisela Sartori. Psicologia no esporte e na atividade física – uma coletânea sobre a prática com qualidade. São Paulo, 2000.

sábado, 19 de abril de 2008

Doença de Chagas

A doença de Chagas permanece um grave problema de saúda pública na América Latina.

Dados da OMS estimam em 16 a 18 milhões o número de infectados na América Latina, dos quais 5 milhões no Brasil.

Cerca de 30% dos pacientes infectados evoluem para cardiopatia chagásica crônica, forma clínica mais freqüente e de mais elevada morbimortalidade. 

Nesta cardiopatia o grau de acometimento cardíaco é bastante variável, e uma parcela significativa dos pacientes pode evoluir para insuficiência cardíaca (ICC).

Recentemente uma nova classificação da ICC, baseada em estágios, foi proposta pela Associação Americana do coração (AHA) e pelo Colégio Americano de Cardiologia (ACC), e tem recebido grande aceitação.

Nesta classificação, são incluídos nos estágios:

Estágio A os pacientes com fatores de risco para ICC (ex: hipertensão arterial, diabetes mellitus, doença coronariana, abuso de álcool, história familiar de cardiomiopatia), mas ainda sem evidências de cardiopatia estrutural e sem sinais clínicos de ICC;

Estágio B, os pacientes que já desenvolveram cardiopatia estrutural (ex: hipertrofia ou dilatação de Ventrículo Esquerdo, disfunção contrátil de qualquer grau, infarto do miocárdio prévio), mas ainda sem sinais de ICC;

Estágio C, incluídos os pacientes com cardiopatia estrutural que apresentam ou já apresentaram sinais ou sintomas de insuficiência cardíaca; 

Estágio D, os pacientes com insuficiência cardíaca avançada, que permanecem muito sintomáticos apesar da medicação e que requerem intervenções especializadas.

A doença de Chagas, excluída da classificação original da ACC/AHA, ainda carece de uma classificação moderna, com implicações prognósticas e terapêuticas, que possa ser aceita e utilizada por todos.

Pelas características de sua história natural, a doença de Chagas pode ser um bom modelo para aplicação da nova classificação de ICC.


Fonte:

http://www.acc.org

ACC / AHA Guidelines for the evaluation and management of cronic heart failure in the adult. 2001

terça-feira, 15 de abril de 2008

Importância das curvaturas fisiológicas da coluna vertebral

As curvaturas fisiológicas da coluna tem a função de aumentar a flexibilidade e a capacidade de absorver choques e, ao mesmo tempo manter a tensão e a estabilidade adequada das articulações intervertebrais.

Em posição ereta normal a gravidade é suportada pelos arcos anteriores das vértebras, enquanto os arcos posteriores ficam livres de todo o peso, ou seja, o arco anterior tem a função de sustentação.

Sendo assim uma diminuição da curva lombar tem-se uma menor resistência à carga, que é descarregada nos arcos anteriores e nos discos intervertebrais, que ficam sobrecarregados e podem diminuir de espessura.

As curvaturas fisiológicas da coluna aumentam a resistência aos esforços de compressão axial; pois temos que a resistência de uma coluna é proporcional ao quadrado do número de curvaturas mais um.

Possuímos em nossa coluna vertebral três curvaturas móveis (lordose cervical, cifose torácica e lordose lombar) então sua resistência é dez vezes maior que uma coluna retilínea.

Outra forma de medir a importância das curvas fisiológicas da coluna é por meio do índice raquidiano de Delmas, que consiste na relação do comprimento entre o platô da primeira vértebra sacral até o atlas, e a altura entre o platô superior de S1 e o atlas.

Uma coluna vertebral com curvaturas normais possui um índice raquidiano de Delmas de 95%. Uma coluna que possua curvaturas acentuadas (indicativo de tipo funcional dinâmico) possui índice raquidiano de Delmas menor que 94%; e uma coluna com curvaturas pouco acentuadas (caracteriza um tipo funcional estático) possui índice de Delmas maior que 96%.

As curvas se tornam mais móveis quanto mais exageradas, e mais rígidas quanto mais retificadas e existe consenso na literarura que as vértebras de transição entre as curvaturas são normalmente as de maior mobilidade e mais susceptíveis à lesões.

No plano sagital existe quatro curvaturas na coluna vertebral: A mais superior é a lordose cervical, de concavidade posterior; em seguida temos a cifose torácica, de convexidade posterior; e a lordose lombar, de concavidade posterior; por último, temos a curvatura sacral fixa de concavidade anterior.

As cifoses têm a função de proteger os órgãos. Como é o caso da cifose craniana que protege o encéfalo, a cifose torácica que protege os órgãos da caixa torácica, cifose sacral que protege os órgãos da pelve menor, e por último temos a cifose do calcâneo.

As lordoses são diferentes das cifoses, e tem a função de movimento. Por esse motivo, anteriormente, nas lordoses existem músculos potentes. Como é o caso do reto abdominal na frente da lordose lombar, dos músculos flexores do pescoço na frente da lordose cervical, e dos quadríceps na frente do joelho.

As cifoses por serem regiões de pouca mobilidade, servem como ponto fixo das cadeias musculares, ou seja, quando os músculos se contraem eles se fixam nas cifoses para movimentar as lordoses, ou são encarregados de controlar os movimentos das lordoses.

Fontes: 

Okuno, Emico - Desenvolvendo a física do corpo humano. Barueri, SP: Manole, 2003

Settineri, L.C.I - Biomecânica. Noções Gerais. Rio de Janeiro, RJ: Atheneu, 1988

Wirhed, R. - Atlas de anatomia do movimento.  São Paulo, SP: Manole, 1986

Kapandji AI. Coluna Lombar. Fisiologia Articular vol. 3. 5ª ed. São Paulo: Guanabrara Koogan 2000

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Melhor desempenho na ponta da Agulha – ACUPUNTURA.

A palavra acupuntura origina-se das expressões em latim acus (agulha) e punctura (puncionar). Ou seja, é uma técnica milenar baseada na inserção de agulhas na pele, em diferentes profundidades do tecido e em pontos estratégicos do corpo.

Formado pela Santa Casa de São Paulo, diretor da comunicação da Associação Médica Brasileira de Acupuntura e membro do Colégio Médico de Acupuntura, Wilson Tadeu Ferreira trata diversos atletas saudáveis que desejam render mais durante a prática esportiva.

Os pontos ativados liberam endorfina e serotonina, aliviando a dor e aumentando a disposição e desempenho dos atletas de uma maneira indireta.

O especialista Hong Jin Pai, formado pela Faculdade de Medicina da USP e um dos fundadores da SMBA-SP (Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura de São Paulo) também destaca que a estimulação de endorfina e serotonina libera o cortisol, hormônio este com efeitos antiinflamatórios.

Logo, uma sessão de acupuntura após o treino, aumentaria a velocidade de recuperação do atleta.

Em um estudo feito com atletas Velocistas de Alto Rendimento (LUNA e FERNANDES FILHO, 2005) submetidos a 2 sessões de acupuntura por semana, obtiveram respostas positivas quanto às variáveis velocidade, resistência anaeróbica, força máxima dinâmica e força explosiva.

Pode-se concluir que a Acupuntura deixou de ser apenas uma técnica utilizada em pacientes com traumas físicos e doenças neuromusculares.

Ela já está bem difundida na rotina atlética de condicionamento físico no Brasil e em outros países.

Fonte:
Revista O2 – Nov. 2007
LUNA, M. P., FILHO, J. F. Acupuntura em Velocistas. Fitness & Performance Journal, Rio de Janeiro, v. 4, n. 4, p. 199 a 214, Julho/Agosto 2005.
http://luna.med.br/artigos.htm

terça-feira, 8 de abril de 2008

Qual o efeito desejado?

Uma das mais importantes tendências contemporâneas na área de atividade física é a do planejamento do treinamento levando em conta as características do indivíduo e de suas atividades do cotidiano, avaliando as exigências diárias e prescrevendo exercícios que tenham impacto positivo sobre as diferentes capacidades necessárias para fazerem frente a essas demandas.

Dentre as diferentes capacidades neuromotoras, a FORÇA MUSCULAR é uma das mais importantes, e deve fazer parte de todo programa de treinamento.

Desnecessário dizer que mesmo nas atividades do cotidiano realizadas por indivíduos não envolvidos com esportes de competição, a força muscular tem um papel central.

Mas todo treinamento de força provoca efeitos similares?

Na verdade, há diferentes MANIFESTAÇÕES DA FORÇA MUSCULAR, cada qual respondendo de maneira diferente a um determinado estímulo de treinamento.

Se considerarmos um continuum que vai da força máxima à força reativa, poderíamos encontrar ao menos seis zonas claramente distintas, representando essas diferentes manifestações.

O que é interessante é a ausência de relação entre elas, o que faz com que a análise das demandas funcionais seja extremamente importante para que se selecione o tipo de treinamento de força mais adequado para cada pessoa.

Particular atenção deve ser dada à técnica de execução, monitoramento do tempo de execução, amplitude de movimento, sequência de exercícios, volume, repouso, respiração, postura correta, entre outras, pois as manifestações desta capacidade se diferenciam através desses fatores.

Qual a posição correta do meu corpo frente ao exercício realizado?

Em que velocidade devo executar tal exercício, em toda sua amplitude de movimento?

Estou respirando corretamente?

Qual o objetivo de três séries de 10 repetições?

Alguém já se preocupou com tais questões?


sábado, 5 de abril de 2008

Índice de Massa Corporal (IMC) e risco de doenças

O IMC, porém, apesar de ter uma acurácia razoável na determinação da presença ou do grau de obesidade frente a inquéritos populacionais, apresenta alguns problemas quando utilizado individualmente.

O IMC não é capaz de distingüir gordura central de gordura periférica, o IMC não distingue massa gordurosa de massa magra, podendo superestimar o grau de obesidade em indivíduos musculosos e mesmo edemaciados (Tabela 1).

De modo geral, esses problemas são facilmente contornados, uma vez que a inspeção e exame físico do aluno cabalmente denotarão se o aumento de massa deve-se a hipertrofia de musculatura ou edema.

Algumas populações asiáticas apresentam aumento de adiposidade e agregam fatores de risco cardiovasculares mesmo na presença de IMC normal.

Por isso, é necessário e prudente obter os limites entre subnutrição, peso saudável e os diversos graus de obesidade para cada população, particularmente frente a diferentes grupos étnicos que podem apresentar biotipo e conformação corpórea distintos.

Tabela 1. Classificação da obesidade segundo o índice de massa corpórea (IMC) e risco de doença (Organização Mundial da Saúde).

IMC (kg/m2)

Classificação

Obesidade grau

Risco de doença

<18,5>

Magreza

0

Elevado

18,5-24,9

Normal

0

Normal

25-29,9

Sobrepeso

I

Elevado

30-39,9

Obesidade

II

Muito elevado

>40,0

Obesidade grave

III

Muitíssimo elevado

Fonte:OBESO – Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Sindrome Metabólica.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Pontos-gatilho miofasciais (Trigger Points)

É comum apalparmos um músculo, principalmente os que se encontram na região superior das costas (mm trapézio), e localizarmos pontos sensíveis cujo, tecido nesses pontos se apresentam mais rígido que os circundantes formando um “nó”.

Por definição, um ponto-gatilho é um local no músculo altamente irritável que se apresenta rígido à palpação e que produz dor, limitação na amplitude de alongamento, fraqueza sem atrofia e sem déficit neurológico.


Os pontos-gatilho são instalados num músculo toda vez que este for sobrecarregado e exigido além da sua capacidade de tolerância no momento.

Uma vez instalado ele pode ficar em estado de latência por muito tempo, às vezes anos, até ser ativado.

Para ativá-lo basta apenas que se some a ele uma situação de stress físico e/ou emocional e uma nova sobrecarga do músculo.

Quando ativado ele produz um espasmo doloroso em algumas fibras do músculo.

A situação se complica quando o sistema nervoso, recebendo o sinal de dor, intervém exigindo que o músculo se contraia, numa tentativa de defendê-lo.

Esta nova contração sobre o espasmo doloroso produz mais dor.

Fecha-se então um ciclo vicioso em que quanto mais dor for produzida pela contração, mais contração o sistema nervoso pede ao músculo.

E o que começou com algumas fibras, logo envolve o músculo inteiro e até mesmo outros próximos, abrangendo toda uma região.

Como exemplo disso temos então um torcicolo ou uma lombalgia.

sexta-feira, 28 de março de 2008

É possível ter um envelhecimento bem sucedido?

Por acaso, alguém já parou para pensar como se preparar para o envelhecimento?

A velhice não é uma doença.

É uma etapa da vida com características e valores próprios, em que ocorrem modificações no indivíduo, tanto na estrutura orgânica, como no metabolismo, no equilíbrio bioquímico, na imunidade, na nutrição, nos mecanismos funcionais, nas características intelectuais e emocionais.

São essas modificações que dificultam a adaptação do indivíduo no seu meio, exatamente pela falta de condições que favoreçam o envelhecimento bio-psico-social.

A aparência do indivíduo se transforma, possibilitando atribuir-lhe uma idade quase sempre com pequena margem de erro.

A pele se enruga em consequência da desidratação e perda da elasticidade do tecido dérmico subjacente.

Há perda de dentes, atrofia muscular e a escleróse das articulações acarretam distúrbios de locomoção. O esqueleto padece de fraturas ósseas. O coração tem seu funcionamento alterado, os órgãos dos sentidos são atacados.

O Velho é mais vulnerável a doenças degenerativas de começo insidioso, como as cardiovasculares e cérebrovasculares, o câncer, os transtornos mentais, os estados patológicos que afetam o sistema locomotor e os sentidos.

Inegavelmente, há uma redução sistemática do grau de interação social como uns dos sinais mais evidentes da velhice.

Concorrem para agravar essa situação vários fatores demográficos, sócio-culturais e epidemiológicos, como aposentadoria, perda de companheiros de trabalho, aumento de tempo livre, mudanças nas normas sociais, impacto da idade sobre o indivíduo, impacto social da velhice, perda de segurança econômica, rejeição pelo grupo, filhos que se afastam, dificuldades citadas pela sociedade industrializada, condução difícil, transito congestionado, contaminação do ar afetando a sua saúde, aumento da frequência de determinadas enfermidades, dificuldades de aceitação de novas idéias que se chocam com os modelos tradicionais de conduta, fazendo o velho duvidar do que vem até então seguindo.

Ufa!!!!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Ácido Graxo Transverso

Vulgarmente conhecido como "gordura trans", gerado basicamente no processo industrial de hidrogenação de óleos vegetais, mas também existente em pequena quantidade, em carnes leites e derivados.

A designação "trans" vem de "transversos" e diz respeito a ordem da cadeia de átomo dos ácidos graxos, uma ordem que é pouco frequente na natureza.

A gordura trans é utilizada para a preparação de alimentos nas redes de fast food porque, além de ser mais durável, tem uma estrutura que conserva melhor o alimento e o deixa mais atraente!

Há evidencias na literatura científica de que o consumo excessivo de ácidos graxos trans pode estar relacionados a uma maior incidência de câncer de mama.

Os ácidos graxos saturados (provenientes da gordura animal, como carne leite e manteiga) são considerados, ao lado da gordura trans, os mais prejudiciais a saúde.

O consumo elevado deste nutriente, aumeta o colesterol total e o LDL ("ruim"). O National Cholesterol Education Program e American Heart Association aconselham que a ingestão desse tipo de gordura não ultrapasse 7% do valor calórico diário total.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Estabilizadores do tronco

Os exercícios abdominais tem sido prescritos como componentes de programas de condicionamento, reabilitação e prevenção de lesões da coluna vertebral entre outros.

Tradicionalmente os programas de exercícios abdominais, realizados nas academias enfatizam a força usando os músculos do tronco como “motores primários”, negligenciando assim, uma das mais importantes funções desses músculos que é a estabilização da coluna (Norris, 1995).

Recentemente pesquisas têm sido realizadas objetivando desenvolver novas formas de se fortalecer os grupamentos musculares responsáveis pela estabilização e manutenção da postura do tronco.

Fonte:
TRAINING THE TRUNK IN THE ATHLETE

JOHNSON, Paul .National Strength & Conditioning Association V 24, No 1, 2002

sábado, 22 de março de 2008

Atividade física para a regulação de distúrbios do sono

Aproximadamente um terço da população tem problemas para dormir. Nas pessoas de 60 anos essa cota aumenta para mais de 50%.

Pessoas mais velhas dormem pior do que os mais jovens e o número de distúrbios do sono aumenta com o aumento da idade.

Uma variedade de fatores pode ser como causa possível para o surgimento e para a existência de distúrbios do sono.

Junto aos chamados fatores exógenos (barulho, ambiente pouco familiar, condições alteradas de espaço, luz, temperatura, etc.), as cargas psíquicas (preocupação, tristeza, medo de prova, etc.), as doenças corporais (diferentes doenças do sistema cardiovascular, problemas dos rins, doenças neurológicas, etc.) e também a falta crônica de atividade física representam um papel importante.

Não são todas as atividades físicas que servem para eliminar os distúrbios do sono. Em primeiro plano é muito importante um trabalho aeróbio moderado e um programa suave de ginástica que envolva exercícios de alongamento e relaxamento, os quais não produzem nenhum estresse psicofísico e conduzem a uma estabilização geral que favorece o sono e o relaxamento.

Fonte:Weineck Jurgen, Atividade Física e esporte: Para quê? Barueri, SP: Manole, 2003.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Treinamento de Flexibilidade. Para quê ?

A flexibilidade representa um fator, cujo significado para a aptidão física geral e para a autonomia diária é muitas vezes menosprezado.

Em consequência disso, um número reduzido de pessoas considera necessário se submeter regularmente a exercícios de flexibilidade.

Embora as pessoas observem muitas vezes que não são mais flexíveis como "antigamente", isso parece não ser o suficiente para estimular a realização de um treinamento diário de curta duração.

Mas porquê isso é necessário e conveniente é apresentado alguns dos benefícios do treinamento de flexibilidade:

- manutenção e aumento da capacidade psicofísica e da capacidade de suportar esforços
- economia do trabalho muscular
- profilaxia postural
- prevenção de lesões
- facilitação no aprendizado de movimentos
- otimização e recuperação após um esforço
- efeito psicorregulativo
- manutenção da autonomia nas atividades cotidianas

Esses benefícios nos faz reconhecer que um treinamento diário de flexibilidade, muitas vezes integrado a rotina do dia a dia, é inteiramente útil para o nosso estado psicofísico e para nossa saúde.

Fonte: Allter, Michael J., Ciência da Flexibilidade- 2 ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 1999

domingo, 16 de março de 2008

E o sono, ajuda na atividade física?

* Efeitos positivos:
- Recuperação muscular e celular, proporcionando ganhos de condicionamento, evitando possíveis quedas de rendimento por descanso insuficiente;
- Liberação do Hormônio do Crescimento (GH), estimulando o crescimento e a recuperação muscular, a construção óssea e a queima de gordura. Atletas que não dormem adequadamente tem a sua produção diminuída;
- Manutenção da performance aeróbia: um déficit prolongado (mais de 36 horas acumuladas) pode reduzir a performance cardiovascular em até 11%;
- Processamento das informações, melhorando a performance mental;

* Efeitos negativos:
- Possíveis distúrbios do sono podem reduzir a performance, tais como: insônia, sonolência diurna excessiva, apnéia, sono insuficiente e etc.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u3864.shtml

A atividade física ajuda o sono?

Dentre os benefícios que a atividade física nos proporciona, o American College of Sports Medicine cita a melhora da qualidade do sono, assim como a American Sleep Disorders Association reconhece o exercício físico como uma “intervenção não farmacológica para a melhora do padrão do sono”.

* Efeitos positivos:
- Regula a temperatura corporal e os neurotransmissores do cérebro, minimizando eventuais distúrbios do sono;
- Maior facilidade para adormecer e maior profundidade do sono;
- Sensação de bem-estar e mais disposição pela manhã.Tratamento indireto da apnéia com a redução de peso.

* Efeitos negativos:
- Aumentou proporcionalmente à intensidade do treino.

Pesquisas mostram que a atividade física no começo da noite é mais benéfica para o sono, e os Japoneses recomendam: uma hora de treino, com intensidades de 20 a 60% do VO máx. no começo da noite.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u3864.shtml

As fases do sono

O SONO: UMA PARTE IMPORTANTE DA VIDA

Está aí o objeto de pesquisa de muitos especialistas: decifrar qual o papel do sono no nosso dia a dia e entender o que acontece quando dormimos, afinal, passamos um terço de nossas vidas nessa condição “confortável” para uns, ou “desagradável” para outros. Cientistas em unanimidade relatam: o exercício físico afeta e pode tornar noites mas tranqüilas e relaxantes, ou mais agitadas.


As fases do sono

Não-REM (Rapid Eyes Moviment):
- Estágio 1: Respiração fica mais profunda, sono leve.
Duração: 10´´ a 10´.
- Estágio 2: Ficamos alheios a estímulos sonoros e visuais.
Duração: 10´ a 20´.
- Estágio 3 e 4: Liberação do Hormônio do crescimento e recuperação muscular.
Duração: Depois de 30´ a 40´ no estágio 4, regride-se para o 3 e 2, entrando em REM.
REM:
- “Sonhos”: Fluxo sanguíneo, freqüência cardíaca, respiração, temperatura e pressão sanguínea aumentam, os olhos se movem rapidamente. É o estágio em que sonhamos.
Duração: ocorre dos 70´a 110´, durando de 5´a 15´, aumentando progressivamente enquanto os estágios3 e 4 ficam menores.

Fontes:

Hartmann, E. The Functions of Sleep (1973).

Jouvet, M. El sueño y los sueños. Fondo de Cultura Económica, México, 1998 (1992)

Kleitman, N. Sleep and Wakefulness, rev. and enl. ed. (1963).
Site:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u3864.shtml

segunda-feira, 3 de março de 2008

Importância do controle nos exercícios aeróbios

Embora em geral seja benéfico à saúde, o treinamento físico aeróbio pode ser perigoso, dependendo das características do estímulo e do grau de reserva funcional do indivíduo.

Caso os exercícios não sejam adequados ou o indivíduo tenha baixas reservas funcionais, pode ocorrer o fenômeno denominado supertreinamento.

Nessa situação, as reservas funcionais de vários órgãos e sistemas baixam ainda mais, causando sérios prejuízos ao desempenho físico e saúde.

Alguns sintomas e sinais relacionados ao sistema cardiovascular indicam essa condição:

  • dor no peito, arritimias cardíacas, palidez, síncope, dificuldades de respiração, distúrbios de coordenação motora, dor de cabeça, confusão mental, náusea e vômito (durante ou imediatamente após o esforço),
  • ou dificuldade de respiração, fadiga, insônia, aumento de peso por retenção de água e taquicardia (após esforço tardio) .

Tais sinais pode ser prenúncio de complicações mais sérias, que em casos extremos levam a morte.

É importante destacar que, embora o treinamento aeróbio seja extremamente promissor, quanto a promoção de saúde e o tratamento de várias doenças do homem, também tem suas limitações.

Com relativa frequência, o exercício traz benefícios insignificantes ou efeitos colaterais nocivos à saúde o que torna necessário um ótimo controle dos parâmetros físicos, fisiológicos e metodológicos.

Só assim será possível estabelecer, com segurança as bases científicas do custo-benefício dos programas de treinamento físico.

Literatura consultada:

Verkhoshansky Y., Siff, Mel C. Super Entrenamiento - Barcelona, Pai do Tribo Ed., 2000.

Dor do dia seguinte e corrida

Corredores profissionais, amadores ou atletas de fim-de-semana estão sujeitos a sentir dor muscular tardia, após a prática da corrida, que são atribuídas a falta de treinamento, mau preparo físico ou do esforço intenso. Essa dor pode persistir por até 72 horas. Mas até mesmo quem pratica atividade física regularmente pode sentir essa dor após aumentar a carga ou intensidade do seu exercício.

Outro tipo de dor decorrente da prática esportiva é a que aparece durante e imediatamente após o esforço físico intenso. Duas explicações; acúmulo de ácido lático no músculo, ou resultado de microlesões que deixam o músculo inflamado e também pode limitar os movimentos. Se a dor for muito incômoda e limitante, a interrupção dos exercícios se faz necessária.

O ideal atualmente é fazer em cada um desses atletas queixosos, com dores após as corridas um estudo biocinético com aparelhos específicos que estudam a posição dos pés na corrida, e o alinhamento das demais articulações, tais como: tornozelos, joelhos quadris e a coluna vertebral.

É evidente que na corrida se acentuam alguns defeitos funcionais da marcha normal, que o olho humano não tem capacidade de identificar somente com a observação visual. Tanto na marcha como na corrida um elemento fundamental são os tipos de tênis ou calçados usados, mas a esse detalhe já é conhecido.

O que o autor também enfatisa, é que se já existem lesões musculares pequenas na musculatura da Panturrilha, na coxa na parte anterior ou posterior podem ser ampliadas após as corridas principalmente na meia maratona ou na maratona.

Deve-se analisar o custo beneficio para a saúde músculo articular participar desses eventos, ampliando as lesões. O mesmo deve ser considerado em relação as dores articulares. Uma ótima preparação física e técnica é recomendado.

Fonte : Rev Med Brux. 2006 Sep;27(4):S327-9

sábado, 1 de março de 2008

Fraturas do Colo Femoral por Esforço

Fraturas do Colo Femoral não são exclusivas de idosos portadores de osteoporose, pois podem acometer indivíduos jovens durante atividades físicas extenuantes. Fraturas do Colo Femoral por Esforço ou por Stress surge porque sobre o colo do fêmur durante o exercício extenuante aparece uma pressão que excede 3-5 vezes o peso corporal durante uma corrida.

Se os músculos locais estão fadigados, a tensão é concentrada na parte superior do colo femoral, predispondo o individuo à ocorrência de fraturas discreta, sem um trauma definido.

A fadiga muscular há muito tem sido implicada como um fator importante na origem das fraturas de esforço, ou de stress esportivo. A fadiga secundária aos exercícios de repetição pode reduzir a capacidade de absorção do impacto pelo osso, transmitindo esta força na forma de compressão no colo femoral. Sugere o diagnóstico de Fraturas do Colo Femoral por Esforço quando um atleta ou praticante de atividade física tem uma queixa de dor crônica na região da virilha ou no quadril durante a deambulação, sem lembrar de um trauma forte.

Nas mulheres, é importante perguntar sobre o ciclo menstrual, uma vez que longos períodos de amenorréia em geral estão associados a decréscimo dos níveis de estrogênios. E a falta de estrogênio resulta em redução da massa óssea. A tríade clássica da mulher atleta (amenorréia, osteoporose e distúrbio do apetite) são bastante comuns.

A maioria dos atletas com Fraturas do Colo Femoral por Esforço relatam dor com início há 2-3 semanas, que em geral correspondem a uma alteração recente no treinamento (p.ex.:corredores que modificaram a distância percorrida, ou trocam o tênis, ou a velocidade, ou o terreno do percurso, etc...). Deve-se questionar sobre a ocorrência de quadros similares no passado.

A presença de dor à palpação profunda do quadril pode chamar a atenção ou com o dedo no local da dor fazer todos os movimentos flexão, extensão, abdução, adução, rotação interna e externa do membro afetado.

A Ressonância Nuclear Magnética evidência uma linha de fratura cortical circundada por uma intensa zona de edema na cavidade medular. O objetivo do tratamento como um todo é facilitar a cicatrização, prevenir complicações e permitir o retorno às atividades habituais, o que pode ser feito modificando-se os fatores de risco e realizando exercícios com cargas de esforço progressivas.

Pacientes com Fraturas do Colo Femoral por Esforço desalinhadas ou desestabilizadas devem ser encaminhados para fixação cirúrgica. K.Logan, ortopedista infantil do Hospital de Connecticut , USA, chama a atenção que essas fraturas de fêmur de esforço também podem ocorrer em atletas adolescentes com dor na virilha.

Fonte : Pediatr Ann. 2007 Nov;36(11):738-9