sexta-feira, 13 de março de 2009

Um Modelo Neuromuscular Biomecânico Para Entender A Carga No Ligamento Do Joelho


Esse foi o título de um estudo realizado por pesquisadores Australianos sobre o uso da Eletromiografia na identificação dos mecanismos de estabilização do joelho.



A eletromiografia pode ser utilizada para estabelecer quais padrões de ativação as pessoas usam para estabilizarem seus joelhos. O que, no entanto, não revela a efetividade desses padrões. Os modelos baseados na eletromiografia fornecem comparações quantitativas da efetividade de diferentes padrões de ativação da estabilização do joelho.



Nesse estudo os pesquisadores conseguiram observar padrões específicos de ativação muscular para suportar momentos varos e valgos dos joelhos.



O padrão de mais potente para estabilizar o joelho é quando os quadríceps ou os isquiotibiais são exigidos nos movimentos de extensão e flexão de joelho, respectivamente. Sendo que o segundo padrão mais potente ocorre na co-contração desses mesmos músculos, nesses mesmos movimentos.



Os pequenos músculos bi-articulares do joelho forneceram o menor suporte para os momentos varos e valgos.



Foi também possível observar que os músculos representam a defesa principal contra lesões ligamentares no joelho, especialmente em atividades esportivas de deslocamento brusco e repentino.



Fonte: Med Sci Sports Exerc. 2005 Nov;37(11):1939-47.


quarta-feira, 11 de março de 2009

Efeitos Do Estado De Hidratação E Do Treinamento De Força Em Marcadores De Dano Muscular


É sabido que o Treinamento de Força ocasiona danos musculares, porém o efeito do Treinamento de Força combinado com um estado do pouca hidratação nesses danos musculares não é conhecido.


A mioglobina e a creatina quinase são dois indicadores de danos musculares, sendo que esse fenômeno pode ser atenuado com a ingestão de líquido após o treinamento.


É devido a esses fatores que cientistas americanos resolveram examinar o efeito combinado do Treinamento de Força com o estado de hidratação das pessoas.


Eles examinaram indivíduos treinados em 3 estados diferentes de hidratação:


(1) Bem hidratado
(2) Pouco desidratado – 2.5% da massa corporal
(3) Desidratado – 5% da massa corporal


Com a medição da mioglobina e da creatina quinase antes e após as atividades, os cientistas concluíram que não houve qualquer diferença significativa no comportamento de ambas variáveis em qualquer estado de desidratação quando comparados ao estado hidratado.


Eles concluíram, portanto, que o estado de desidratação não aumenta o dano muscular e então é recomendável que o exercício seja feito em estado de hidratação, até para evitar outros danos decorrentes da desidratação.


Fonte: J Strength Cond Res. 2008 Sep;22(5):1387-93.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cirurgia de redução de estômago aumenta 542% no país



A oferta de cirurgia de diminuição do tamanho do estômago para perda de peso nos hospitais vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou 542% desde 2001, quando o procedimento passou a ser realizado pela rede pública, segundo levantamento feito pelo Ministério da Saúde.

Somente em 2008, no Brasil, foram realizadas 3.195 cirurgias bariátricas, a um custo de R$ 15,736 milhões para o SUS. Em 2001 foram gastos R$ 1,237 milhão para 497 procedimentos como esse. O investimento cresceu 1.765%. Também aumentou a quantidade de estabelecimentos habilitados para realizar a operação, passando de 18 em 2001, para 58 unidades pelo Brasil neste ano.

O estado que realizou o maior numero de cirurgias foi São Paulo, com 1.068 procedimentos, seguido do Paraná (954) e Santa Catarina (344). O maior número de procedimentos é realizado em mulheres: em 2008 foram 2.639 cirurgias entre elas e 556 entre homens, cinco vezes menos.

Estima-se que o Brasil tenha 3,73 milhões de obesos mórbidos, conforme dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica. Muitos deles já são atendidos pelo Sistema Único de Saúde em programas de emagrecimento, formados por equipe multidisciplinar, com participação de nutricionistas que prescrevem dietas.

A indicação de atividades físicas também é recomendada para prevenção da obesidade. Antes de fazer a cirurgia, o paciente deve passar por uma avaliação clínica e cirúrgica e um acompanhamento com equipe multidisciplinar durante dois anos. Nesse período, ele é submetido a uma dieta e, se os resultados não forem positivos, a cirurgia é recomendada.

A cirurgia bariátrica é recomendada quando o índice de massa corporal (IMC), ou seja, a razão entre o peso e o quadrado da altura, é maior que 40kg/m² em indivíduos com idade superior 18 anos, de qualquer sexo. Também pode ser realizada se o IMC estiver entre 35kg/m² e 40 kg/m² e o paciente apresentar diabetes, hipertensão arterial, apneia do sono, hérnia de disco ou outras doenças associadas e a ausência de distúrbios psiquiátricos.

Fonte: www.g1.globo.com

segunda-feira, 9 de março de 2009

Avaliação Do Risco De Lesão Em Gestantes Em Atividades Cotidianas


É recomendado que as gestantes pratiquem atividade física, porém não há dados disponíveis que indiquem o risco da perda do bebê associado com o nível do exercício praticado.


Em busca dessa quantificação, pesquisadores do Centro de Lesões Biomecânicas nos Estados Unidos avaliaram o risco dessa perda através de uma simulação de exercícios utilizando um modelo – validado - computadorizado baseado em simular e calcular níveis de exercícios para gestantes de 30 semanas.


Para a simulação, mulheres não-gestantes foram recrutadas nesse estudo e desempenharam 6 atividades distintas; Sentar normalmente na cadeira, Caminhar, Correr, Polichinelo, Salto Vertical (máximo), Pular de um step de 20cm.


Com a análise dos dados foi possível descobrir que o risco médio de perda do bebê entre essas atividades foi baixo (4%), sendo que o menor risco encontrado foi na caminhada (3,1%) e o maior na corrida (18,8%).


Foi concluído então que existe um risco de perda do bebê em atividades de alto impacto, porém, nas atividades de baixo impacto o risco é extremamente baixo ou até nulo.


Fonte: Biomed Sci Instrum. 2008;44:183-8.

sábado, 7 de março de 2009

É melhor se exercitar pela manhã? Cientistas esclarecem


Sem sombra de dúvida, algum exercício físico em qualquer hora do dia é melhor do que nenhum exercício. Porém, será que existem vantagens psicológicas em se exercitar de manhã ao invés da tarde, ou vice-versa?

Em diversos estudos, cientistas descobriram que os participantes tendem a se sair um pouco melhor em medições de desempenho físico – incluindo resistência, força, tempo de reação e capacidade aeróbica – entre quatro da tarde e sete da noite. As explicações são muitas: a temperatura do corpo e os níveis hormonais atingem o pico na parte da tarde, tornando os músculos mais flexíveis e produzindo a melhor proporção de testosterona (o hormônio construtor dos músculos) e cortisol (o hormônio que faz o inverso).

No entanto, essas variações apresentam apenas efeitos pequenos. Assim como uma pessoa pode se adaptar para acordar no mesmo horário todos os dias, estudos mostram que o corpo pode se adaptar ao horário do dia em que se pratica exercícios físicos. Em diversos estudos de longo prazo, por exemplo, cientistas dividiam arbitrariamente as pessoas em grupos e as instruíram a treinar somente pela manhã ou no final da tarde. No fim, os participantes da manhã, em geral, obtiveram melhores resultados em testes de desempenho físico realizados logo cedo, enquanto os participantes da tarde se saíram melhor em testes feitos à tarde.

Assim, as pesquisas sugerem que, em geral, o período ideal para se exercitar dependerá das possibilidades de cada um , embora as vantagens para um melhor desempenho em uma competição é organizar seus treinamentos, numa etapa anterior, para que possa ser realizado bem próximo do horário do evento.

Na prática, isso significa que, se você pretende correr uma maratona que começa de manhã, é melhor marcar seu treinamento para bem cedinho.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Reabilitação Do Equilíbrio Dos Músculos Ao Redor Da Escápula


Vários exercícios para os músculos da escápula são utilizados no tratamento da disfunção escápulo-toráxica que estão relacionadas à lesão do ombro.


Tendo em vista os desequilíbrios intra-musculares e inter-musculares em pacientes com essa condição, os exercícios que promovem ativação da porção inferior do trapézio, da porção média do trapézio, do serrátil anterior e com ativação mínima da porção superior do trapézio são recomendados.


Foram utilizados e analisados - com a utilização de eletromiografia - 12 exercícios comumente prescritos para o fortalecimento do trapézio.


Levando em consideração a ativação recomendada acima, 4 exercícios foram considerados como principais para a reabilitação do equilíbrio dos músculos ao redor da escápula pelos cientistas. São eles:


1 – Rotação Externa de Ombros em Decúbito Lateral
2 – Flexão Frontal em Decúbito Lateral
3 – Abdução Horizontal de Braços em Decúbito Ventral com Rotação Externa
4 – Hiperextensão de Ombros em Decúbito Ventral


Fonte: Am J Sports Med. 2007 Oct;35(10):1744-51. Epub 2007 Jul 2.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O Papel De Um Programa De Estabilização Integrado Em Pacientes com Dor Lombar


Devido a resultados inconstantes em pesquisas relacionadas a programas de treinamento de estabilização em decorrência da variação de métodos usados nesses experimentos, cientistas britânicos resolveram avaliar a eficácia de um programa de estabilização integrado em pacientes com dor lombar.


Tal programa contou com uma progressão de exercícios que começa com o trabalho isolado dos músculos estabilizadores, passando para exercícios mais complexos com a utilização simultânea e coordenada de dois ou mais músculos estabilizadores.


57 sujeitos divididos em 2 grupos: grupo controle e grupo de intervenção, participaram do estudo. Sendo que o grupo controle não participou de nenhum exercício específico para estabilização e o grupo de intervenção participou, durante 6 semanas, de um programa de treinamento de estabilização de 3 estágios de maneira individualizada.


No primeiro estágio a ênfase foi dada em exercícios posturais e ativação dos músculos estabilizadores. O segundo estágio buscou progressão dos exercícios para os músculos estabilizadores. Finalmente, o terceiro estágio enfatizou técnicas específicas.


Os cientistas puderam concluir no final do experimento, que o programa de estabilização integrado reduziu significantemente a dor e a limitação de movimentos dos sujeitos pertencentes ao grupo de intervenção. Sendo que tais participantes descreveram que a experiência foi extremamente positiva.

Complement Ther Clin Pract. 2008 Nov;14(4):255-63. Epub 2008 Jul 26.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Relação Entre Fatores Mecânicos E A Incidência Da Dor Lombar


Pesquisadores Iranianos buscaram investigar a associação de 17 aspectos mecânicos com a ocorrência de dores lombares. Várias características físicas, baseadas em hipóteses, descobertas clínicas e experimentos científicos vêm sendo associados com o surgimento de dores lombares.


Porém, ainda há controvérsia em relação ao grau de associação entre algumas dessas características físicas e o surgimento de dores lombares. Portanto, informações relacionadas ao grau de associação de cada fator ao surgimento de dores lombares se fazem necessárias para uma prevenção efetiva e estratégias apropriadas de tratamento.


Os pesquisadores analisaram 600 indivíduos divididos em 4 grupos; (1) Homens saudáveis, (2) Mulheres saudáveis, (3) Homens com dores lombares e (4) Mulheres com dores lombares. Os 17 aspectos mecânicos e suas associações com o aparecimento de dores lombares foram avaliados.


Dentre todos os fatores testados, a resistência dos músculos extensores da coluna possuiu a maior relação com o surgimento de dores lombares. Outros fatores como o comprimento dos músculos extensores da coluna, a força dos flexores do quadril, dos adutores e dos músculos abdominais também tiveram associações significantes com a dor lombar.


Os pesquisadores concluíram que a fraqueza muscular ou a resistência muscular estão associadas com a ocorrência (ou não) de dores lombares, enquanto que fatores estruturais como o tamanho da lordose lombar, dos desvios pélvicos, discrepâncias de comprimento entre: as pernas, isquiotibiais e o músculo iliopsoas não estão associados com a ocorrência de dores lombares.


Fonte: J Orthop Sports Phys Ther. 2002 Sep;32(9):447-60.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Simpósio de Oftalmologia Esportiva

A primeira edição do Simpósio de Oftalmologia Esportiva será realizada de 19 a 21 de março de 2009 pelo Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Apoiado pelo Centro de Oftalmologia Esportiva da universidade, o encontro tem o objetivo de divulgar o conhecimento sobre as alterações morfofisiológicas oculares que ocorrem durante a atividade física e sobre os aspectos biodinâmicos, psicobiológicos e biomecânicos a elas relacionados.

Entre as palestras programadas estão “Aspectos bioquímicos no exercício físico e influência na função visual”, “Tomografia de coerência óptica e alterações morfofisiológicas oculares”, “Aspectos biomecânicos e percepção visual” e “Adaptações nas disfunções metabólicas na atividade física”.

As atividades serão realizadas no Teatro Marcos Lindemberg da Unifesp, na rua Botucatu, 862, em São Paulo.

Mais informações: www.oftalmologiaunifesp.com.br


domingo, 22 de fevereiro de 2009

Estilo de vida pouco saudável dobra risco de derrame, sugere estudo



Um estudo liderado pela Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, sugere que a adoção de um estilo de vida pouco saudável pode mais do que dobrar o risco de derrame.

Hábitos como fumar, consumir bebidas alcoólicas, fazer poucos exercícios e comer poucas frutas e verduras podem contribuir para a ocorrência de um derrame, de acordo com os especialistas.

Eles analisaram questionários preenchidos por cerca de 20 mil pessoas, entre homens e mulheres de 40 a 79 anos, ao longo de 11 anos. Um total de 599 teve derrame nesse período.

Os pesquisadores deram pontos para cada "comportamento saudável" que cada participante adotava e verificaram a pontuação daqueles que sofreram um derrame.

Entre as atitudes positivas estavam não fumar, beber dentro do limite recomendado pelas autoridades sanitárias britânicas, consumir até cinco porções de frutas e verduras por dia e ser fisicamente ativo.

Segundo o estudo, os que não marcaram nenhum ponto apresentaram uma probabilidade 2,3 vezes maior de sofrer um derrame do que os que alcançaram quatro pontos.

Para cada ponto a menos, havia um aumento da probabilidade de derrame, de acordo com os pesquisadores.

As pessoas que tiveram dois pontos, apresentaram uma probabilidade 1,58 vezes maior de sofrer um derrame, em relação aos que marcaram quatro pontos. Os que tiveram só um ponto tinham uma probabilidade 2,18 vezes maior.

Os autores do estudo admitiram que ele tem algumas limitações, mas sugerem que os resultados podem dar alguma sustentação à ideia de que pequenas diferenças no estilo de vida podem ter um impacto substancial no risco de derrame.

Pesquisas anteriores já haviam associado um estilo de vida pouco saudável ao desenvolvimento de doenças cardíacas. A relação entre estilo de vida e derrame ainda é pouco explorada pelos cientistas.


Fonte: O estudo foi divulgado em artigo publicado no "British Medical Journal".

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Gordura atrai gordura



Quem aprecia uma picanha malpassada e principalmente a camada branca de gordura que a envolve talvez se inquiete.


Um tipo de gordura – os ácidos graxos saturados de cadeia longa, encontrados principalmente em carnes vermelhas – pode ser uma das causas da obesidade.


De acordo com experimentos realizados em camundongos, essas moléculas acionam uma inflamação no hipotálamo, na base do cérebro, que leva à destruição dos neurônios que controlam o apetite e a queima de calorias.


Talvez isso possa tentar explicara a dificuldade das pessoas obesas controlarem a fome e perderem peso, mesmo que adotem dietas severas para emagrecer dizem os pesquisadores desse estudo, publicado em janeiro na revista científica Journal of Neuroscience.

Estudos anteriores haviam mostrado que a obesidade era uma doença que começava no cérebro ou nos músculos, induzida por dietas com excesso de açúcares ou de gorduras. Esse excesso gerava resistência ao hormônio insulina, que carrega a glicose para as células, onde é transformada em energia, e induz ao consumo contínuo de alimentos .


Testes com animais já haviam mostrado que dietas ricas em gordura em geral danificavam o hipotálamo mais intensamente que as ricas em açúcares.


Para ver qual tipo de gordura era mais danoso, os pesquisadores injetaram diferentes tipos de ácidos graxos de origem animal ou vegetal no hipotálamo de camundongos. Os encontrados no óleo de soja mostraram um efeito tênue sobre o cérebro, enquanto os encontrados em gorduras animais e em proporção menor no óleo de amendoim apresentaram ação mais danosa.

As moléculas de ácido graxo saturado se ligam a proteínas de superfície chamadas TLR-2 e TLR-4 de um tipo de células chamadas microglias, que protegem os neurônios do hipotálamo contra vírus e bactérias.


Uma vez acionadas, a TLR-2 e, em maior intensidade, a TLR-4 estimulam a produção de outras proteínas, conhecidas como citocinas. Normalmente, em outras partes do corpo, as citocinas estimulam a produção de anticorpos e de células especializados em combater vírus, bactérias e tumores. No hipotálamo, as citocinas produzidas desse modo destroem neurônios que controlam o apetite e a queima de calorias.


O que não se sabia era o que poderia disparar essa inflamação que leva à morte de neurônios.


A TLR-4 era um alvo antigo. Em experimentos anteriores, camundongos dotados de uma mutação genética que desliga essa proteína engordaram menos, sem desenvolver resistência à insulina, mesmo quando submetidos a uma dieta com excesso de lipídeos (gorduras).


O acionamento da TLR-4 explica também um fenômeno: a produção mais intensa que o normal de enzimas que impedem o funcionamento da insulina. Essa proteína representa agora a conexão entre dietas ricas em gorduras e o desenvolvimento da resistência à insulina, que pode facilitar o desenvolvimento de obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares. Até mesmo câncer pode se desenvolver mais facilmente em pessoas com peso acima do considerado saudável.


Uma pessoa é considerada com sobrepeso quando apresenta índice de massa corporal (IMC, obtido pela divisão do peso pelo quadrado da altura) de 25 a 29,9 kg/m2 e obesa com IMC igual ou superior a 30 kg/m2: assim, por exemplo, uma pessoa com 1,70 metro de altura é obesa se tiver mais de 87 quilos. De acordo com um levantamento do IBGE com base na população de 2003, 41,1% dos homens e 40% das mulheres apresentam sobrepeso e 8,9% dos homens e 13,1% das mulheres são obesos no Brasil.


Quem gosta de comer carne com gordura deve estar se perguntando o que fazer para evitar essa situação. Certamente, reduzir o consumo de gorduras pode ajudar, mas, outra vez, não há informação sobre qual a quantidade de gorduras começa a matar neurônios nem se essa cascata de reações pode ser contida ou revertida.


O obeso, cujo organismo refaz continuamente o ponto de equilíbrio, corre o risco de nunca mais voltar ao equilíbrio anterior, com peso estável.


A saída ainda distante seria encontrar medicamentos anti-inflamatórios capazes de agir somente no hipotálamo e em resposta a estímulos gerados apenas por ácidos graxos saturados de cadeia longa, para evitar que as células de defesa deixem de reagir quando apareça algum vírus ou bactéria.


Fonte: Revista Pesquisa Fapesp

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Genética da hipertensão



Um novo estudo internacional acaba de identificar as primeiras variantes genéticas envolvidas na hipertensão. As variantes podem representar uma estratégia para lidar com o problema.

Pressão alta (hipertensão arterial) é um dos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares e de outros problemas graves, como derrame e insuficiência renal.

Os autores do trabalho: Thomas Wang e colegas, do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue, realizaram uma ampla análise genômica de indivíduos europeus e identificaram duas variantes comuns que afetam a pressão sanguínea.

Essas variantes estão localizadas em genes que codificam proteínas produzidas pelo coração e pelos vasos sanguíneos, chamadas peptídeos natriuréticos, que regulam o processo de excreção de sal pela urina.

Desde a descoberta de que o coração secreta uma família de hormônios que atuam no relaxamento de vasos sanguíneos e promovem a remoção do excesso de sal – em uma resposta cardiovascular a algum tipo de estresse –, tem-se especulado que os peptídeos natriuréticos possam estar envolvidos na regulagem da pressão sanguínea em humanos.

Segundo a nova pesquisa, os efeitos que as variantes genéticas (chamadas NPPA e NPPB) podem ter na pressão sanguínea é muito significativo. Agentes terapêuticos que possam atuar no sistema de produção de peptídeos natriuréticos e que, portanto, resultem em tratamento eficiente contra a hipertensão já estão sendo avaliados na continuação do estudo.

Estudos feitos com animais em que o gene NPPA foi “nocauteado”, deixando de funcionar, apontaram um aumento na pressão sanguínea.

Segundo os autores, a hipertensão é comum entre pessoas de uma mesma família e algumas síndromes genéticas raras que elevam a pressão sanguínea já foram identificadas. Mas tem sido difícil estabelecer as bases genéticas comuns para esse problema que afeta 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.

O estudo alerta que, ainda é cedo para dizer que o exame de níveis de peptídeos natriuréticos ou de variantes genéticas possa diagnosticar o risco de hipertensão, mas no futuro poderá ser possível tratar pessoas com deficiência dessas proteínas com terapias que possam restaurar seus níveis normais e, com isso, reduzir o risco.

Provavelmente serão descobertos muitos outros genes que contribuem para alterações na pressão sanguínea. O maior desafio será compreender os mecanismos por trás desses efeitos.

Fonte: Association of common variants in NPPA and NPPB with circulating natriuretic peptides and blood pressure.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Desempenho Dos Músculos Inspiratórios Dos Atletas De Endurance e De Sedentários


Pesquisadores Australianos procuraram avaliar se um treinamento de resistência geral estava associado com um aumento na força e na resistência dos músculos inspiratórios.


Seis maratonistas e seis indivíduos sedentários foram mensurados nas seguintes valências: Força dos músculos respiratórios; pressão inspiratória máxima e resistência (limiar progressivo de carga dos músculos inspiratórios).


Eles constataram que a pressão inspiratória máxima foi similar entre esses dois grupos, mas o limiar de pressão máxima foi maior nos maratonistas. Durante o aumento de intensidade (limiar progressivo de carga dos músculos inspiratórios), os maratonistas respiravam em uma freqüência menor, com um volume de ar maior, e tinham tempos de inspiração e expiração mais longos.


Quando a intensidade foi máxima para os dois grupos (com a utilização da escala de Borg), a saturação arterial de 02 foi mais baixa nos maratonistas, sendo que a eficiência dos músculos respiratórios foi similar entre os dois grupos.


Foi concluído então que o aumento aparente na resistência dos músculos respiratórios dos atletas de endurance nada mais é do que uma conseqüência da diferença entre os padrões (ritmos) de respiração adotados por cada indivíduo conforme a intensidade do exercício aumenta, ao invés de uma maior força ou eficiência dos músculos respiratórios.


Portanto, isso implica que o mecanismo sensório - e não o condicionamento dos músculos respiratórios - se mostra um mecanismo importante pelo qual a resistência geral é melhorada.


Fonte: Respirology. 2001 Jun;6(2):95-104.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Fatores De Risco E Mecanismos De Lesões No Joelho De Corredores



Milhões de pessoas participam de provas de rua todos os anos. Só nos EUA, o número de participantes chega a 36 milhões a cada ano, sendo que 100 milhões correm, pelo menos, 100 dias por ano.

Apesar das lesões advindas da corrida serem bem entendidas pela medicina do esporte, os fatores potenciais de risco não são. Isto exposto, um estudo americano buscou investigar fatores de risco comportamentais e fisiológicos que influenciam os mecanismos para o potencial de lesão no joelho, incluindo forças de articulação e momentum do joelho.

Vinte indivíduos com a idade entre 20 e 55 anos foram submetidos a testes de flexibilidade nos isquiotibiais (posterior da coxa), quadríceps, além do peso e altura para ajustes. A carga na articulação do joelho também foi medida, assim como a força concêntrica e excêntrica da extensão do joelho.

Depois das correlações e dos cálculos estatísticos, foi concluído que os joelhos cujas cargas em suas articulações foram maiores estavam relacionados com os seguintes fatores:

- Maior peso corporal
- Pouca flexibilidade nos isquiotibiais (posterior da coxa)
- Maior força muscular
- Maior distância percorrida por semana

A maioria dos fatores de risco citados acima poderia ser potencialmente modificada para reduzir a aumento da carga na articulação do joelho, reduzindo assim o risco de lesão nessa região.

Fonte: Med Sci Sports Exerc. 2008 Oct 8. [Epub ahead of print]

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Lesões No Ombro De Praticantes de Atividade Física: Um Problema Constante



Problemas no ombro decorrentes da prática inadequada da atividade física são constantemente relatados na literatura e é comum observamos isso em praticantes de academia. Foi pensando nesse problema que cientistas da Flórida – EUA sentiram que havia necessidade de estudar e descrever os riscos de lesões no ombro pertinentes à prática da atividade física.


A articulação e as características dos músculos do ombro de indivíduos freqüentadores de academia foram investigadas para determinar adaptações específicas relacionadas a riscos que podem ocorrer para esses participantes.


Noventa pessoas participaram do estudo, sendo que 60 foram submetidas a diversos exercícios para membros superiores e as outras 30 não foram submetidas a nenhum exercício ou estresse para essa mesma região do corpo.


As variáveis analisadas pelos cientistas foram:


- Amplitude de movimento na articulação do ombro
- Tensão na parte posterior do ombro
- Peso corporal ajustado para os valores de força
- Comparação de força dos músculos agonistas/antagonistas entre os grupos de pessoas


Após a análise estatística dos dados constatou-se:


1 – O grupo de 60 pessoas que participaram de exercícios para os membros superiores diminuiu a mobilidade de todos os movimentos dos ombros (exceto na rotação externa, que foi maior para o grupo de 60 pessoas), comparado com o grupo das outras 30 pessoas.


2 – Os músculos agonistas/antagonistas se apresentaram mais fortes para o grupo de 60 pessoas, porém demonstraram desequilíbrios musculares maiores do que os apresentados para o grupo que não se exercitou.


Tais fatores sugerem que os participantes de atividade física que se exercitam inadequadamente estão predispostos a desequilíbrios de força e mobilidade no ombro como resultado de seus treinamentos. Tais desequilíbrios estão relacionados com problemas/lesões no ombro de indivíduos “normais” ativos e também nos atletas. Então, esses desequilíbrios colocam essas pessoas em risco de lesão no ombro.


Esse problema todo recai no tipo de treinamento que é prescrito a esses indivíduos. A maioria dos treinamentos contém exercícios para grandes grupos musculares, feito de forma multi-articular (ex. Supino), e, na maioria dos casos, o treinamento para os músculos estabilizadores dessa região (ex. Manguito Rotador) é totalmente inexistente.


Portanto, a seleção dos exercícios de uma maneira progressiva é de extrema importância. Não significa que a pessoa não possa estar executando o Supino, por exemplo, significa apenas que ela deve se preparar para poder executar esse (e outros mais complexos) exercício de forma segura.


Deve-se optar, então, por exercícios que atenuam esse desequilíbrio de força e mobilidade visando a prevenção de lesões.


Os responsáveis pela prescrição do treino devem considerar os estresses biomecânicos e as adaptações associadas aos não-atletas praticantes de atividade física quando estão prescrevendo-lhes exercícios, principalmente para as regiões mais suscetíveis a lesões, como a região do ombro.


Fonte: J Strength Cond Res. 2009 Jan;23(1):148-57

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Core Training: Uma Estratégia Eficiente No Diagnóstico E Na Prevenção De Lesão



Atualmente, vêm sendo observado um aumento da ausência de trabalhadores em decorrência a diversos tipos de lesões, pois realizam suas funções em posições desconfortáveis e posturas inadequadas.


Tendo em vista tal cenário, pesquisadores da University of Arizona, realizaram um estudo para avaliar se o Core Training ajudaria na prevenção de tais lesões decorrentes de posturas inadequadas.


Uma bateria de testes para movimentos funcionais foi aplicada em mais de 400 bombeiros. Os testes de movimentos funcionais foram correlacionados com as lesões desse grupo. A partir daí, eles criaram e aplicaram treinos físicos para a melhora da flexibilidade e força nos músculos estabilizadores.


Os pesquisadores constataram que o tempo perdido com as lesões foi diminuído em 62% e o número de lesões em 42% em apenas 12 meses. Esses dados foram comparados com um grupo controle de muitos anos.


Esses resultados sugerem, portanto, que a melhora na flexibilidade e força dos músculos estabilizadores através de treinamento físico específico para esse propósito previne lesões em trabalhadores cujas funções envolvem estarem em posições e posturas inadequadas.


Fonte: J Occup Med Toxicol. 2007 Apr 11;2:3

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Idosos Portadores De Câncer vs. Atividade Física E Boa Alimentação



Pesquisadores Americanos avaliaram idosos (> 65 anos) portadores de Câncer de próstata ou de mama com o intuito de tentar quantificar se intervenções no estilo de vida dessas pessoas, principalmente a inclusão da prática de atividade física aliada a uma boa alimentação, teriam um impacto positivo na qualidade de vida dessas pessoas e na independência das mesmas.


Mais de 400 idosos foram observados durante um período de 6 meses. O grupo de intervenção participou, durante tal período, de exercícios físicos prescritos para serem realizados em casa mesmo, em conjunto com uma alimentação balanceada.


Já o grupo controle não participou de nenhuma atividade física, nem de uma rotina de alimentação adequada. Eles apenas receberam informações gerais sobre saúde.


Como era de se esperar, ao final do período de 6 meses, os pesquisadores observaram melhora significativa no comportamento, estilo de vida e independência das pessoas pertencentes ao grupo de intervenção.


Fonte: J Clin Oncol. 2006 Jul 20;24(21):3465-73

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Comparação No Enrijecimento Da Sola do Calcanhar Entre Corredores e Ciclistas



O objetivo desse estudo realizado por pesquisadores da Pennsylvania State University – EUA, foi de comparar as propriedades mecânicas das solas dos calcanhares de corredores, que repetitivamente sobrecarregam as solas de seus calcanhares durante os treinos, e de ciclistas que não sobrecarregam essa mesma parte do corpo durante seus treinamentos.


Os cientistas usaram da ultrasonografia para avaliarem a rigidez das solas dos calcanhares dos sujeitos.


Não houve diferença na espessura da sola do calcanhar entre os grupos, quando ajustadas pela altura. Também não houve diferença entre os grupos no que diz respeito à porcentagem de energia perdida durante a sobrecarga.


Porém, o enrijecimento na sola dos pés dos corredores foi estatística e significantemente menor do que nos ciclistas.


Esses resultados indicam que a natureza da atividade praticada pelo indivíduo pode influenciar na propriedade da sola dos pés dos mesmos.


Fonte: J Appl Biomech. 2008 Nov;24(4):377-81

sábado, 24 de janeiro de 2009

Cor dos olhos pode ter algum efeito sobre visão, dizem especialistas

Evidências são escassas e inconclusivas, mas indicam alterações.

Olhos claros são melhores com precisão; olhos escuros, com reação.


Será que a cor de seus olhos pode afetar mais que apenas sua vida amorosa?

É fato conhecido que pessoas com olhos mais claros tendem a ser mais sensíveis à luz, resultado de menos pigmentação na íris para protegê-las da luz do sol. Isso pode colocá-las sob um risco maior de degeneração macular e outros problemas relacionados aos olhos. Porém, não está claro se isso se estende à visão.

Se há diferenças, elas parecem ser sutis. Há muito poucas evidências – ou nenhuma – de que um olho mais escuro significa maior acuidade visual, mas uma teoria sugere melhores tempos de reação nessas pessoas.

Estudos examinaram esse fato analisando o desempenho em esportes. Um estudo, da Universidade de Louisville, descobriu que pessoas com olhos escuros desempenhavam melhor "tarefas de reação", como atingir bolas, jogar na defesa num jogo de futebol americano e lutar boxe. Mas pessoas com olhos claros se saíam melhor em "tarefas de maior precisão", como dar uma tacada numa bola de golfe, lançar bolas de beisebol ou jogar boliche. Um estudo similar com estudantes de universitários descobriu que os participantes com olhos mais escuros eram melhores em bater bolas de squash.

No entanto, outros estudos contestaram essas descobertas, incluindo um que analisava jogadores de rúgbi. Cientistas afirmam serem necessários mais estudos.

Conclusão: há evidências limitadas de que a cor dos olhos pode ter um leve efeito na visão.

Fonte: www.g1.com.br

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

1/4 Dos Suplementos Alimentares Possuem Anabolizantes


Um em cada quatro suplementos vendidos para praticantes de atividade física possui em sua fórmula esteróides anabolizantes não declarados no rótulo. É o que aponta levantamento da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, realizado com base na análise de 111 amostras no Instituto Adolfo Lutz.



Os anabolizantes, quando tomados sem orientação médica, podem causar inúmeros efeitos negativos no organismo, como acne, impotência sexual, calvície, hipertensão arterial, esterilidade e problemas cardíacos Os produtos, comercializados na capital e no interior do Estado, foram apreendidos pela polícia e pelos serviços de vigilância sanitária locais durante o ano de 2007.



O levantamento também apontou que 85,6% dos suplementos não apresentavam qualquer informação de procedência. Das demais amostras, 5,4% eram nacionais e 9%, importadas. A legislação brasileira que regulamenta os alimentos para atletas exclui produtos que contenham substâncias farmacológicas estimulantes, hormônios e outras substâncias consideradas como dopping pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), embora não haja menção direta aos suplementos nutricionais.


Dos produtos analisados, 41% eram apresentações em cápsulas, provavelmente por apresentar maior facilidade na manipulação e incorporação de outras substâncias farmacologicamente ativas, além dos nutrientes. Outros 33% das amostras eram comprimidos e 16% tinham apresentação do produto em pó.


"A presença de substâncias proibidas em suplementos alimentares coloca os praticantes de atividades físicas em situação de grande risco. É importante ter em mente que não existem fórmulas mágicas para se entrar em forma e todo produto que prometa resultados milagrosos devem ser olhados com desconfiança", diz a pesquisadora de microbiologia de medicamentos do Adolfo Lutz, Adriana Bugno.


Os suplementos irregulares são interditados pelo Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado São Paulo. Se há identificação do fabricante, as empresas são notificadas. Já as irregularidades encontradas em produtos importados ou sem identificação são relatadas ao importador e à Anvisa.


Os anabolizantes, quando tomados sem orientação médica, podem causar inúmeros efeitos negativos no organismo, como acne, impotência sexual, calvície, hipertensão arterial, esterilidade, insônia, dor de cabeça, aumento de colesterol ruim, problemas cardíacos, crescimento indevido de pêlos, engrossamento da voz e distúrbios testiculares e menstruais.


Fonte: UOL