quarta-feira, 25 de março de 2009

Efeitos Antecipatórios Na Carga Sobre A Articulação Do Joelho Durante A Corrida E Mudanças Bruscas De Direção


Cientistas do Esporte Australianos estudaram como a performance esportiva que exige mudanças bruscas de direção afetou a carga na articulação do joelho e seu potencial risco para uma lesão ligamentar.


Utilizando-se de modelos biomecânicos avançados, eles analisaram a corrida com mudanças bruscas de direção durante atividades que eram previamente explicadas para os sujeitos e também durante atividades inesperadas, em que o sujeito não podia antecipar o que iria acontecer, tendo assim que reagir bruscamente de maneira imediata para responder ao estímulo externo.


Eles observaram que a flexão e extensão dos joelhos não diferiram nas duas atividades. No entanto, a magnitude dos momentos varos e valgos e das rotações internas e externas era dobrada nas atividades inesperadas quando comparadas com as atividades já pré-estabelecidas e conhecidas pelos sujeitos.


Esse fenômeno aumenta o risco de lesão sem contato no ligamento do joelho. Isso provavelmente ocorre devido ao tempo reduzido que essa tarefa permite para a reação do praticante, ou seja, há pouco tempo para um ajuste postural adequado a fim de se executar o movimento de maneira mais segura, como a posição do pé no chão em relação ao centro da massa do corpo.


Portanto, o treinamento para esse tipo de atividade inesperada deve envolver rotinas que familiarizem o praticante com esse perfil de movimentos e estímulos inesperados. As sessões de treino também devem ser compostas de treinamento pliométrico, como também focadas na melhora da interpretação dos estímulos visuais para aumentar o tempo disponível para planejar o próximo movimento de maneira mais adequada e segura.


Fonte: Med Sci Sports Exerc. 2001 Jul;33(7):1176-81.

Anabolizantes maquiados


Um estudo feito no Estado de São Paulo pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) concluiu que um em cada quatro produtos comercializados em academias de ginástica como suplementos nutricionais para praticantes de atividade física tem substâncias de natureza esteroidal não declaradas nos rótulos.

O trabalho analisou 111 produtos comercializados na capital e no interior paulista, apreendidos pelos serviços de vigilância sanitária locais. As análises, realizadas por meio de técnica conhecida por screening por cromatografia em camada delgada, foram realizadas no Laboratório de Antibióticos e Hormônios do Instituto Adolfo Lutz, órgão vinculado à Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.
Do total de 28 amostras (25,5%) que apresentaram substâncias esteroidais destinadas ao desenvolvimento de massa muscular, 7% tinham sais de testosterona em suas fórmulas. A identificação dos sais indica que esses produtos contêm esteróides anabolizantes e estão sendo vendidos ilegalmente. 
Em contrapartida, 18,5% dos suplementos analisados também apresentaram substâncias de natureza esteroidal, mas que não pudemos identificar com precisão devido à falta de padrões de comparação com outras substâncias puras.
Esteróides anabolizantes são drogas fabricadas para substituir a testosterona, o hormônio masculino fabricado pelos testículos que ajuda no crescimento dos músculos (efeito anabólico) e no desenvolvimento das características sexuais masculinas (efeito androgênico).
A importância do estudo está na demonstração dos riscos que muitos atletas no Brasil correm ao consumir substâncias desconhecidas, ainda mais se tratando de drogas perigosas que oferecem efeitos colaterais muito variados.
O levantamento também apontou que 85,6% dos suplementos analisados não apresentavam informações de procedência e, das demais amostras, 5,4% eram nacionais e 9%, importadas. O trabalho mostrou ainda que a forma mais frequente de apresentação dos produtos foi a de cápsula, representando 41% do total de amostras analisadas, por apresentar uma maior facilidade na manipulação e incorporação de outras substâncias farmacologicamente ativas. 

Consumo popular
De acordo com o trabalho, alguns dos fatores que contribuem para a explosão de consumo dessas substâncias são o apelo da publicidade, a prática do fisiculturismo e o culto exagerado ao corpo, que enfatiza o desenvolvimento muscular conhecido como vigorexia.

Além disso, a disponibilidade e o livre acesso pela internet aos suplementos nutricionais no comércio internacional e, no Brasil, o consumo nas academias de ginásticas sem orientação de profissionais de saúde resultaram na popularização do uso desses produtos por atletas profissionais e amadores.

Segundo o Dietary Supplement Health and Education (DSHEA) os suplementos dietéticos são aqueles que suprem as necessidades de um ou mais nutrientes, como vitaminas, minerais e enzimas. Além dessas substâncias, são permitidos extratos vegetais, aminoácidos, melatonina e precursores da testosterona, chamados de pró-hormônios, entre os quais a androsteniona, a dehidroepiandrosterona e o androstenediol.
Os pesquisadores destacam que, quando ingeridas sem orientação médica, essas substâncias podem causar problemas como impotência sexual, desordens menstruais, insônia, dor de cabeça, acne, aumento dos níveis de colesterol, problemas cardíacos, crescimento indevido de pelos, aumento de agressividade, engrossamento da voz, aumento da pressão sanguínea e até infarto do miocárdio. 

Fonte: Revista Fapesp

segunda-feira, 23 de março de 2009

Cinética Da Articulação Patelo-Femoral Durante O Agachamento Com Ou Sem Carga Externa


O agachamento, apesar de muito usado na reabilitação, principalmente com pouca profundidade para evitar forças maiores sobre a articulação associadas com o aumento na flexão dos joelhos, necessita de critérios objetivos sobre quais angulações devemos usar para esse exercício ainda não foram bem estabelecidos.


Foi pensando nesse cenário que cientistas americanos testaram indivíduos na execução do agachamento nas seguintes condições:


(1) Fase concêntrica à 90 a 0 graus de flexão
(2) Fase excêntrica à 0 a 90 graus de flexão


O exercício foi executado sem carga e também com carga externa de 35% do peso corporal do indivíduo.


Eles então mediram vários aspectos como força de reação do solo e modelos biomecânicos da articulação patelo-femoral em uma tentativa de quantificar o estresse sobre essa articulação em vários ângulos de execução do agachamento.


Nas duas fases (concêntrica e excêntrica) a reação de força patelo-femoral, o comportamento dos extensores do joelho e o estresse na articulação patelo-femoral cresceram significantemente na medida em que os ângulos de execução foram aumentando, sendo que o estresse maior ocorreu no ângulo de 90 graus.


O estresse sobre essa articulação nos ângulos de 45, 60, 75 e 90 graus durante a flexão de joelhos na fase excêntrica, e nos ângulos de 75 e 90 graus na fase concêntrica foi significantemente maior com a carga externa do que quando o exercício foi executado sem carga alguma.


Essas descobertas sugerem que para limitarmos o estresse na articulação patelo-femoral durante o agachamento, devemos considerar impormos um limite para a angulação maior (no caso, 90 graus), como também na carga externa.


Fonte: J Orthop Sports Phys Ther. 2002 Apr;32(4):141-8.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A Influência Do Core Training Na Cinética Da Corrida, Na Estabilidade Da Parte Inferior Do Corpo E No Desempenho De Corredores De 5k


Apesar de muitos acreditarem que os músculos estabilizadores ajudam no desempenho atlético, poucos estudos científicos foram realizados para a identificação da efetividade do Core Training no desempenho esportivo.


Pesquisadores da Barry University, nos Estados Unidos, buscaram estudar os efeitos de 6 semanas de Core Training nos seguintes aspectos:



(1) Força de Reação do Solo
(2) Estabilidade da Parte Inferior do Corpo
(3) Desempenho de Corrida


Para o estudo foram recrutados 28 indivíduos saudáveis e ativos, sendo aleatoriamente distribuídos em 2 grupos; (1) Grupo do Core Training (realizaram o Core Training durante 6 semanas e (2) Grupo Controle (não realizaram nenhum treinamento específico para o Core).


Após o período de 6 semanas, os pesquisadores puderam concluir que o Grupo do Core Training mostrou tempos mais rápidos na corrida de 5k, apesar de não haver direrença entre a força de reação do solo e a estabilidade da parte inferior do corpo entre os dois grupos.


Foi concluído também que o Core Training pode ser um método efetivo de treino para melhorar o desempenho de corredores.


Fonte: J Strength Cond Res. 2009 Jan;23(1):133-40.


quarta-feira, 18 de março de 2009

O Efeito Agudo Do Treinamento Aeróbio E Do Treinamento De Força Na Memória


Foi o que pesquisadores da Universidade de Illinois, nos EUA, tentaram descobrir através desse estudo científico bastante interessante, aonde 21 indivíduos fizeram parte dos testes.


Dentre as variáveis testadas estavam; condicionamento cardiorrespiratório, força máxima, tempo de reação e teste de memória.


O teste de memória foi aplicado antes, imediatamente após e 30 minutos após um treino aeróbio, um treino de força ou inatividade total, dependendo do grupo.


Houve queda no tempo de reação e na memória dos indivíduos que participaram do treino aeróbio imediatamente e 30 minutos após a atividade. Porém, para o grupo do treino de força e para o grupo inativo não houve mudanças nesses aspectos.


Esses resultados indicam que as mudanças no estado cognitivo das pessoas devido ao exercício estão relacionadas desproporcionalmente ao controle da memória e pode ser específico dos exercícios aeróbios.


Vale reforçar que isso ocorre apenas durante e imediatamente após a realização das atividades e que outros estudos (como já postado essa semana) comprovam uma subseqüente melhora no estado cognitivo após o descanso e recuperação da atividade.


Fonte: Med Sci Sports Exerc. 2009 Mar 7. [Epub ahead of print]

segunda-feira, 16 de março de 2009

Mortalidade por infartos caiu 50% nos Estados Unidos, afirma estudo



A mortalidade por infartos, bem como a ocorrência de complicações graves dos infartos, vem caindo nos Estados Unidos.

Essas são as conclusões de uma análise estatística do Estudo de Framingham, que vem acompanhando por mais de quatro décadas quase 10 mil pessoas. A prevenção primária é a principal responsável pela diminuição entre 40% e 50% das mortes por doença cardiovascular de 1968 a 2000.

A descoberta dos fatores de risco e da importância de seu controle são os frutos mais importantes do estudo de Framingham. As campanhas de prevenção e a mobilização das sociedades científicas parecem ter conseguido levar a informação ao público americano.

Outro estudo, publicado na mesma edição da revista "Circulation", mostra a evolução da principal complicação do infartos do coração. Essa pesquisa avaliou mais de 13 mil pacientes de infarto agudo internados na região de Worchester. Nesse grupo a ocorrência do choque cardiogênico também vem declinando nos últimos 30 anos. Essa medida mostra o sucesso do tratamento adequado e precoce do infarto, especialmente com a utilização das técnicas de revascularização por angioplastia.

Uma surpresa, ficou por conta do número de internações por infartos, que se mantém estável e até mesmo crescendo nesse período de tempo. Uma análise mais atenta constatou que o método de diagnóstico dos infartos, com a descoberta dos marcadores de infarto no sangue é o responsável por esse efeito. A utilização do eletrocardiograma como critério único de diagnóstico passou a ser complementada pelas dosagens de enzimas no sangue e pelo ecocardiograma precoce.

Essa pesquisa, que está publicada na revista "Circulation", mostra a importância da prevenção e a organização dos serviços de atendimento de emergência cardiológica para salvarmos vidas.

O Efeito Do Exercício À Exaustão Em Curto Prazo Na Função Cognitiva De Mulheres Jovens


Esse estudo Americano examinou se exercícios aeróbios máximos executados até a exaustão afetava os seguintes aspectos em mulheres jovens:

(1) Tempo de Reação
(2) Memória Visual Espacial
(3) Atenção
(4) Memória Curta
(5) Memória Durante Atividades Dinâmicas


Além disso, o estudo também examinou se a intensidade do exercício e a atividade aeróbia crônica afetariam o desempenho cognitivo de mulheres ativas e sedentárias de forma diferente. Os cientistas envolvidos nesse estudo explicam que a escolha por mulheres foi devido ao fato de haver poucos estudos desenhados especificamente para elas.


Depois dos diversos testes e re-testes os cientistas descobriram que o tempo de reação é melhor nas mulheres ativas (mas não foi afetado pelo efeito agudo do exercício), a memória de maneira geral sofreu uma queda durante e imediatamente após a atividade aeróbia intensa, porém, apresentou melhora significativa depois da recuperação do exercício quando comparada com medidas prévias ao exercício.


Os demais aspectos mostraram reações similares à reação demonstrada pela memória.


Fonte: Percept Mot Skills. 2008 Dec;107(3):933-45.


sexta-feira, 13 de março de 2009

Um Modelo Neuromuscular Biomecânico Para Entender A Carga No Ligamento Do Joelho


Esse foi o título de um estudo realizado por pesquisadores Australianos sobre o uso da Eletromiografia na identificação dos mecanismos de estabilização do joelho.



A eletromiografia pode ser utilizada para estabelecer quais padrões de ativação as pessoas usam para estabilizarem seus joelhos. O que, no entanto, não revela a efetividade desses padrões. Os modelos baseados na eletromiografia fornecem comparações quantitativas da efetividade de diferentes padrões de ativação da estabilização do joelho.



Nesse estudo os pesquisadores conseguiram observar padrões específicos de ativação muscular para suportar momentos varos e valgos dos joelhos.



O padrão de mais potente para estabilizar o joelho é quando os quadríceps ou os isquiotibiais são exigidos nos movimentos de extensão e flexão de joelho, respectivamente. Sendo que o segundo padrão mais potente ocorre na co-contração desses mesmos músculos, nesses mesmos movimentos.



Os pequenos músculos bi-articulares do joelho forneceram o menor suporte para os momentos varos e valgos.



Foi também possível observar que os músculos representam a defesa principal contra lesões ligamentares no joelho, especialmente em atividades esportivas de deslocamento brusco e repentino.



Fonte: Med Sci Sports Exerc. 2005 Nov;37(11):1939-47.


quarta-feira, 11 de março de 2009

Efeitos Do Estado De Hidratação E Do Treinamento De Força Em Marcadores De Dano Muscular


É sabido que o Treinamento de Força ocasiona danos musculares, porém o efeito do Treinamento de Força combinado com um estado do pouca hidratação nesses danos musculares não é conhecido.


A mioglobina e a creatina quinase são dois indicadores de danos musculares, sendo que esse fenômeno pode ser atenuado com a ingestão de líquido após o treinamento.


É devido a esses fatores que cientistas americanos resolveram examinar o efeito combinado do Treinamento de Força com o estado de hidratação das pessoas.


Eles examinaram indivíduos treinados em 3 estados diferentes de hidratação:


(1) Bem hidratado
(2) Pouco desidratado – 2.5% da massa corporal
(3) Desidratado – 5% da massa corporal


Com a medição da mioglobina e da creatina quinase antes e após as atividades, os cientistas concluíram que não houve qualquer diferença significativa no comportamento de ambas variáveis em qualquer estado de desidratação quando comparados ao estado hidratado.


Eles concluíram, portanto, que o estado de desidratação não aumenta o dano muscular e então é recomendável que o exercício seja feito em estado de hidratação, até para evitar outros danos decorrentes da desidratação.


Fonte: J Strength Cond Res. 2008 Sep;22(5):1387-93.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cirurgia de redução de estômago aumenta 542% no país



A oferta de cirurgia de diminuição do tamanho do estômago para perda de peso nos hospitais vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou 542% desde 2001, quando o procedimento passou a ser realizado pela rede pública, segundo levantamento feito pelo Ministério da Saúde.

Somente em 2008, no Brasil, foram realizadas 3.195 cirurgias bariátricas, a um custo de R$ 15,736 milhões para o SUS. Em 2001 foram gastos R$ 1,237 milhão para 497 procedimentos como esse. O investimento cresceu 1.765%. Também aumentou a quantidade de estabelecimentos habilitados para realizar a operação, passando de 18 em 2001, para 58 unidades pelo Brasil neste ano.

O estado que realizou o maior numero de cirurgias foi São Paulo, com 1.068 procedimentos, seguido do Paraná (954) e Santa Catarina (344). O maior número de procedimentos é realizado em mulheres: em 2008 foram 2.639 cirurgias entre elas e 556 entre homens, cinco vezes menos.

Estima-se que o Brasil tenha 3,73 milhões de obesos mórbidos, conforme dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica. Muitos deles já são atendidos pelo Sistema Único de Saúde em programas de emagrecimento, formados por equipe multidisciplinar, com participação de nutricionistas que prescrevem dietas.

A indicação de atividades físicas também é recomendada para prevenção da obesidade. Antes de fazer a cirurgia, o paciente deve passar por uma avaliação clínica e cirúrgica e um acompanhamento com equipe multidisciplinar durante dois anos. Nesse período, ele é submetido a uma dieta e, se os resultados não forem positivos, a cirurgia é recomendada.

A cirurgia bariátrica é recomendada quando o índice de massa corporal (IMC), ou seja, a razão entre o peso e o quadrado da altura, é maior que 40kg/m² em indivíduos com idade superior 18 anos, de qualquer sexo. Também pode ser realizada se o IMC estiver entre 35kg/m² e 40 kg/m² e o paciente apresentar diabetes, hipertensão arterial, apneia do sono, hérnia de disco ou outras doenças associadas e a ausência de distúrbios psiquiátricos.

Fonte: www.g1.globo.com

segunda-feira, 9 de março de 2009

Avaliação Do Risco De Lesão Em Gestantes Em Atividades Cotidianas


É recomendado que as gestantes pratiquem atividade física, porém não há dados disponíveis que indiquem o risco da perda do bebê associado com o nível do exercício praticado.


Em busca dessa quantificação, pesquisadores do Centro de Lesões Biomecânicas nos Estados Unidos avaliaram o risco dessa perda através de uma simulação de exercícios utilizando um modelo – validado - computadorizado baseado em simular e calcular níveis de exercícios para gestantes de 30 semanas.


Para a simulação, mulheres não-gestantes foram recrutadas nesse estudo e desempenharam 6 atividades distintas; Sentar normalmente na cadeira, Caminhar, Correr, Polichinelo, Salto Vertical (máximo), Pular de um step de 20cm.


Com a análise dos dados foi possível descobrir que o risco médio de perda do bebê entre essas atividades foi baixo (4%), sendo que o menor risco encontrado foi na caminhada (3,1%) e o maior na corrida (18,8%).


Foi concluído então que existe um risco de perda do bebê em atividades de alto impacto, porém, nas atividades de baixo impacto o risco é extremamente baixo ou até nulo.


Fonte: Biomed Sci Instrum. 2008;44:183-8.

sábado, 7 de março de 2009

É melhor se exercitar pela manhã? Cientistas esclarecem


Sem sombra de dúvida, algum exercício físico em qualquer hora do dia é melhor do que nenhum exercício. Porém, será que existem vantagens psicológicas em se exercitar de manhã ao invés da tarde, ou vice-versa?

Em diversos estudos, cientistas descobriram que os participantes tendem a se sair um pouco melhor em medições de desempenho físico – incluindo resistência, força, tempo de reação e capacidade aeróbica – entre quatro da tarde e sete da noite. As explicações são muitas: a temperatura do corpo e os níveis hormonais atingem o pico na parte da tarde, tornando os músculos mais flexíveis e produzindo a melhor proporção de testosterona (o hormônio construtor dos músculos) e cortisol (o hormônio que faz o inverso).

No entanto, essas variações apresentam apenas efeitos pequenos. Assim como uma pessoa pode se adaptar para acordar no mesmo horário todos os dias, estudos mostram que o corpo pode se adaptar ao horário do dia em que se pratica exercícios físicos. Em diversos estudos de longo prazo, por exemplo, cientistas dividiam arbitrariamente as pessoas em grupos e as instruíram a treinar somente pela manhã ou no final da tarde. No fim, os participantes da manhã, em geral, obtiveram melhores resultados em testes de desempenho físico realizados logo cedo, enquanto os participantes da tarde se saíram melhor em testes feitos à tarde.

Assim, as pesquisas sugerem que, em geral, o período ideal para se exercitar dependerá das possibilidades de cada um , embora as vantagens para um melhor desempenho em uma competição é organizar seus treinamentos, numa etapa anterior, para que possa ser realizado bem próximo do horário do evento.

Na prática, isso significa que, se você pretende correr uma maratona que começa de manhã, é melhor marcar seu treinamento para bem cedinho.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Reabilitação Do Equilíbrio Dos Músculos Ao Redor Da Escápula


Vários exercícios para os músculos da escápula são utilizados no tratamento da disfunção escápulo-toráxica que estão relacionadas à lesão do ombro.


Tendo em vista os desequilíbrios intra-musculares e inter-musculares em pacientes com essa condição, os exercícios que promovem ativação da porção inferior do trapézio, da porção média do trapézio, do serrátil anterior e com ativação mínima da porção superior do trapézio são recomendados.


Foram utilizados e analisados - com a utilização de eletromiografia - 12 exercícios comumente prescritos para o fortalecimento do trapézio.


Levando em consideração a ativação recomendada acima, 4 exercícios foram considerados como principais para a reabilitação do equilíbrio dos músculos ao redor da escápula pelos cientistas. São eles:


1 – Rotação Externa de Ombros em Decúbito Lateral
2 – Flexão Frontal em Decúbito Lateral
3 – Abdução Horizontal de Braços em Decúbito Ventral com Rotação Externa
4 – Hiperextensão de Ombros em Decúbito Ventral


Fonte: Am J Sports Med. 2007 Oct;35(10):1744-51. Epub 2007 Jul 2.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O Papel De Um Programa De Estabilização Integrado Em Pacientes com Dor Lombar


Devido a resultados inconstantes em pesquisas relacionadas a programas de treinamento de estabilização em decorrência da variação de métodos usados nesses experimentos, cientistas britânicos resolveram avaliar a eficácia de um programa de estabilização integrado em pacientes com dor lombar.


Tal programa contou com uma progressão de exercícios que começa com o trabalho isolado dos músculos estabilizadores, passando para exercícios mais complexos com a utilização simultânea e coordenada de dois ou mais músculos estabilizadores.


57 sujeitos divididos em 2 grupos: grupo controle e grupo de intervenção, participaram do estudo. Sendo que o grupo controle não participou de nenhum exercício específico para estabilização e o grupo de intervenção participou, durante 6 semanas, de um programa de treinamento de estabilização de 3 estágios de maneira individualizada.


No primeiro estágio a ênfase foi dada em exercícios posturais e ativação dos músculos estabilizadores. O segundo estágio buscou progressão dos exercícios para os músculos estabilizadores. Finalmente, o terceiro estágio enfatizou técnicas específicas.


Os cientistas puderam concluir no final do experimento, que o programa de estabilização integrado reduziu significantemente a dor e a limitação de movimentos dos sujeitos pertencentes ao grupo de intervenção. Sendo que tais participantes descreveram que a experiência foi extremamente positiva.

Complement Ther Clin Pract. 2008 Nov;14(4):255-63. Epub 2008 Jul 26.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Relação Entre Fatores Mecânicos E A Incidência Da Dor Lombar


Pesquisadores Iranianos buscaram investigar a associação de 17 aspectos mecânicos com a ocorrência de dores lombares. Várias características físicas, baseadas em hipóteses, descobertas clínicas e experimentos científicos vêm sendo associados com o surgimento de dores lombares.


Porém, ainda há controvérsia em relação ao grau de associação entre algumas dessas características físicas e o surgimento de dores lombares. Portanto, informações relacionadas ao grau de associação de cada fator ao surgimento de dores lombares se fazem necessárias para uma prevenção efetiva e estratégias apropriadas de tratamento.


Os pesquisadores analisaram 600 indivíduos divididos em 4 grupos; (1) Homens saudáveis, (2) Mulheres saudáveis, (3) Homens com dores lombares e (4) Mulheres com dores lombares. Os 17 aspectos mecânicos e suas associações com o aparecimento de dores lombares foram avaliados.


Dentre todos os fatores testados, a resistência dos músculos extensores da coluna possuiu a maior relação com o surgimento de dores lombares. Outros fatores como o comprimento dos músculos extensores da coluna, a força dos flexores do quadril, dos adutores e dos músculos abdominais também tiveram associações significantes com a dor lombar.


Os pesquisadores concluíram que a fraqueza muscular ou a resistência muscular estão associadas com a ocorrência (ou não) de dores lombares, enquanto que fatores estruturais como o tamanho da lordose lombar, dos desvios pélvicos, discrepâncias de comprimento entre: as pernas, isquiotibiais e o músculo iliopsoas não estão associados com a ocorrência de dores lombares.


Fonte: J Orthop Sports Phys Ther. 2002 Sep;32(9):447-60.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Simpósio de Oftalmologia Esportiva

A primeira edição do Simpósio de Oftalmologia Esportiva será realizada de 19 a 21 de março de 2009 pelo Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Apoiado pelo Centro de Oftalmologia Esportiva da universidade, o encontro tem o objetivo de divulgar o conhecimento sobre as alterações morfofisiológicas oculares que ocorrem durante a atividade física e sobre os aspectos biodinâmicos, psicobiológicos e biomecânicos a elas relacionados.

Entre as palestras programadas estão “Aspectos bioquímicos no exercício físico e influência na função visual”, “Tomografia de coerência óptica e alterações morfofisiológicas oculares”, “Aspectos biomecânicos e percepção visual” e “Adaptações nas disfunções metabólicas na atividade física”.

As atividades serão realizadas no Teatro Marcos Lindemberg da Unifesp, na rua Botucatu, 862, em São Paulo.

Mais informações: www.oftalmologiaunifesp.com.br


domingo, 22 de fevereiro de 2009

Estilo de vida pouco saudável dobra risco de derrame, sugere estudo



Um estudo liderado pela Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, sugere que a adoção de um estilo de vida pouco saudável pode mais do que dobrar o risco de derrame.

Hábitos como fumar, consumir bebidas alcoólicas, fazer poucos exercícios e comer poucas frutas e verduras podem contribuir para a ocorrência de um derrame, de acordo com os especialistas.

Eles analisaram questionários preenchidos por cerca de 20 mil pessoas, entre homens e mulheres de 40 a 79 anos, ao longo de 11 anos. Um total de 599 teve derrame nesse período.

Os pesquisadores deram pontos para cada "comportamento saudável" que cada participante adotava e verificaram a pontuação daqueles que sofreram um derrame.

Entre as atitudes positivas estavam não fumar, beber dentro do limite recomendado pelas autoridades sanitárias britânicas, consumir até cinco porções de frutas e verduras por dia e ser fisicamente ativo.

Segundo o estudo, os que não marcaram nenhum ponto apresentaram uma probabilidade 2,3 vezes maior de sofrer um derrame do que os que alcançaram quatro pontos.

Para cada ponto a menos, havia um aumento da probabilidade de derrame, de acordo com os pesquisadores.

As pessoas que tiveram dois pontos, apresentaram uma probabilidade 1,58 vezes maior de sofrer um derrame, em relação aos que marcaram quatro pontos. Os que tiveram só um ponto tinham uma probabilidade 2,18 vezes maior.

Os autores do estudo admitiram que ele tem algumas limitações, mas sugerem que os resultados podem dar alguma sustentação à ideia de que pequenas diferenças no estilo de vida podem ter um impacto substancial no risco de derrame.

Pesquisas anteriores já haviam associado um estilo de vida pouco saudável ao desenvolvimento de doenças cardíacas. A relação entre estilo de vida e derrame ainda é pouco explorada pelos cientistas.


Fonte: O estudo foi divulgado em artigo publicado no "British Medical Journal".

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Gordura atrai gordura



Quem aprecia uma picanha malpassada e principalmente a camada branca de gordura que a envolve talvez se inquiete.


Um tipo de gordura – os ácidos graxos saturados de cadeia longa, encontrados principalmente em carnes vermelhas – pode ser uma das causas da obesidade.


De acordo com experimentos realizados em camundongos, essas moléculas acionam uma inflamação no hipotálamo, na base do cérebro, que leva à destruição dos neurônios que controlam o apetite e a queima de calorias.


Talvez isso possa tentar explicara a dificuldade das pessoas obesas controlarem a fome e perderem peso, mesmo que adotem dietas severas para emagrecer dizem os pesquisadores desse estudo, publicado em janeiro na revista científica Journal of Neuroscience.

Estudos anteriores haviam mostrado que a obesidade era uma doença que começava no cérebro ou nos músculos, induzida por dietas com excesso de açúcares ou de gorduras. Esse excesso gerava resistência ao hormônio insulina, que carrega a glicose para as células, onde é transformada em energia, e induz ao consumo contínuo de alimentos .


Testes com animais já haviam mostrado que dietas ricas em gordura em geral danificavam o hipotálamo mais intensamente que as ricas em açúcares.


Para ver qual tipo de gordura era mais danoso, os pesquisadores injetaram diferentes tipos de ácidos graxos de origem animal ou vegetal no hipotálamo de camundongos. Os encontrados no óleo de soja mostraram um efeito tênue sobre o cérebro, enquanto os encontrados em gorduras animais e em proporção menor no óleo de amendoim apresentaram ação mais danosa.

As moléculas de ácido graxo saturado se ligam a proteínas de superfície chamadas TLR-2 e TLR-4 de um tipo de células chamadas microglias, que protegem os neurônios do hipotálamo contra vírus e bactérias.


Uma vez acionadas, a TLR-2 e, em maior intensidade, a TLR-4 estimulam a produção de outras proteínas, conhecidas como citocinas. Normalmente, em outras partes do corpo, as citocinas estimulam a produção de anticorpos e de células especializados em combater vírus, bactérias e tumores. No hipotálamo, as citocinas produzidas desse modo destroem neurônios que controlam o apetite e a queima de calorias.


O que não se sabia era o que poderia disparar essa inflamação que leva à morte de neurônios.


A TLR-4 era um alvo antigo. Em experimentos anteriores, camundongos dotados de uma mutação genética que desliga essa proteína engordaram menos, sem desenvolver resistência à insulina, mesmo quando submetidos a uma dieta com excesso de lipídeos (gorduras).


O acionamento da TLR-4 explica também um fenômeno: a produção mais intensa que o normal de enzimas que impedem o funcionamento da insulina. Essa proteína representa agora a conexão entre dietas ricas em gorduras e o desenvolvimento da resistência à insulina, que pode facilitar o desenvolvimento de obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares. Até mesmo câncer pode se desenvolver mais facilmente em pessoas com peso acima do considerado saudável.


Uma pessoa é considerada com sobrepeso quando apresenta índice de massa corporal (IMC, obtido pela divisão do peso pelo quadrado da altura) de 25 a 29,9 kg/m2 e obesa com IMC igual ou superior a 30 kg/m2: assim, por exemplo, uma pessoa com 1,70 metro de altura é obesa se tiver mais de 87 quilos. De acordo com um levantamento do IBGE com base na população de 2003, 41,1% dos homens e 40% das mulheres apresentam sobrepeso e 8,9% dos homens e 13,1% das mulheres são obesos no Brasil.


Quem gosta de comer carne com gordura deve estar se perguntando o que fazer para evitar essa situação. Certamente, reduzir o consumo de gorduras pode ajudar, mas, outra vez, não há informação sobre qual a quantidade de gorduras começa a matar neurônios nem se essa cascata de reações pode ser contida ou revertida.


O obeso, cujo organismo refaz continuamente o ponto de equilíbrio, corre o risco de nunca mais voltar ao equilíbrio anterior, com peso estável.


A saída ainda distante seria encontrar medicamentos anti-inflamatórios capazes de agir somente no hipotálamo e em resposta a estímulos gerados apenas por ácidos graxos saturados de cadeia longa, para evitar que as células de defesa deixem de reagir quando apareça algum vírus ou bactéria.


Fonte: Revista Pesquisa Fapesp

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Genética da hipertensão



Um novo estudo internacional acaba de identificar as primeiras variantes genéticas envolvidas na hipertensão. As variantes podem representar uma estratégia para lidar com o problema.

Pressão alta (hipertensão arterial) é um dos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares e de outros problemas graves, como derrame e insuficiência renal.

Os autores do trabalho: Thomas Wang e colegas, do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue, realizaram uma ampla análise genômica de indivíduos europeus e identificaram duas variantes comuns que afetam a pressão sanguínea.

Essas variantes estão localizadas em genes que codificam proteínas produzidas pelo coração e pelos vasos sanguíneos, chamadas peptídeos natriuréticos, que regulam o processo de excreção de sal pela urina.

Desde a descoberta de que o coração secreta uma família de hormônios que atuam no relaxamento de vasos sanguíneos e promovem a remoção do excesso de sal – em uma resposta cardiovascular a algum tipo de estresse –, tem-se especulado que os peptídeos natriuréticos possam estar envolvidos na regulagem da pressão sanguínea em humanos.

Segundo a nova pesquisa, os efeitos que as variantes genéticas (chamadas NPPA e NPPB) podem ter na pressão sanguínea é muito significativo. Agentes terapêuticos que possam atuar no sistema de produção de peptídeos natriuréticos e que, portanto, resultem em tratamento eficiente contra a hipertensão já estão sendo avaliados na continuação do estudo.

Estudos feitos com animais em que o gene NPPA foi “nocauteado”, deixando de funcionar, apontaram um aumento na pressão sanguínea.

Segundo os autores, a hipertensão é comum entre pessoas de uma mesma família e algumas síndromes genéticas raras que elevam a pressão sanguínea já foram identificadas. Mas tem sido difícil estabelecer as bases genéticas comuns para esse problema que afeta 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.

O estudo alerta que, ainda é cedo para dizer que o exame de níveis de peptídeos natriuréticos ou de variantes genéticas possa diagnosticar o risco de hipertensão, mas no futuro poderá ser possível tratar pessoas com deficiência dessas proteínas com terapias que possam restaurar seus níveis normais e, com isso, reduzir o risco.

Provavelmente serão descobertos muitos outros genes que contribuem para alterações na pressão sanguínea. O maior desafio será compreender os mecanismos por trás desses efeitos.

Fonte: Association of common variants in NPPA and NPPB with circulating natriuretic peptides and blood pressure.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Desempenho Dos Músculos Inspiratórios Dos Atletas De Endurance e De Sedentários


Pesquisadores Australianos procuraram avaliar se um treinamento de resistência geral estava associado com um aumento na força e na resistência dos músculos inspiratórios.


Seis maratonistas e seis indivíduos sedentários foram mensurados nas seguintes valências: Força dos músculos respiratórios; pressão inspiratória máxima e resistência (limiar progressivo de carga dos músculos inspiratórios).


Eles constataram que a pressão inspiratória máxima foi similar entre esses dois grupos, mas o limiar de pressão máxima foi maior nos maratonistas. Durante o aumento de intensidade (limiar progressivo de carga dos músculos inspiratórios), os maratonistas respiravam em uma freqüência menor, com um volume de ar maior, e tinham tempos de inspiração e expiração mais longos.


Quando a intensidade foi máxima para os dois grupos (com a utilização da escala de Borg), a saturação arterial de 02 foi mais baixa nos maratonistas, sendo que a eficiência dos músculos respiratórios foi similar entre os dois grupos.


Foi concluído então que o aumento aparente na resistência dos músculos respiratórios dos atletas de endurance nada mais é do que uma conseqüência da diferença entre os padrões (ritmos) de respiração adotados por cada indivíduo conforme a intensidade do exercício aumenta, ao invés de uma maior força ou eficiência dos músculos respiratórios.


Portanto, isso implica que o mecanismo sensório - e não o condicionamento dos músculos respiratórios - se mostra um mecanismo importante pelo qual a resistência geral é melhorada.


Fonte: Respirology. 2001 Jun;6(2):95-104.