segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Qualidade De Vida Dos Adolescentes Obesos


Basta sairmos nas ruas de nossas cidades para notarmos a quantidade de adolescentes que visualmente estão acima de seus pesos ideais. Uma pesquisa feita em São Paulo analisou diversos fatores relacionados à qualidade de vida desses adolescentes e sugere estratégias para mudarmos esse cenário.

Esse estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e avaliou as consequencias – negativas - físicas, sociais e econômicas que a obesidade exerce na qualidade de vida desses adolescentes.


82 adolescentes obesos foram avaliados e tiveram seus hábitos e estilos de vida modificados durante 24 semanas nesses aspectos.


As mudanças, dentre alguns outros aspectos, contou com programas médicos, de nutrição, atividade física regular e acompanhamento psicológico.


Vários questionários cientificamente reconhecidos foram utilizados para avaliação dos seguintes aspectos:


Ansiedade
Depressão
Gula
Insatisfação com o próprio corpo
Qualidade de Vida


Após o período de 24 semanas de intervenção, os pesquisadores concluíram que, nas adolescentes, houve redução nos níveis de depressão e gula, e melhora na satisfação com o próprio corpo e na qualidade de vida. Já nos adolescentes, uma diminuição da ansiedade, gula e melhora na qualidade de vida foi observado.


Foi concluído então que uma mudança interdisciplinar no estilo de vida dos adolescentes obesos é uma maneira eficiente de controlar aspectos psicológicos e para a melhora da qualidade de vida dos mesmos.

Dicas do Professor:


Já sabemos que o número de adolescentes obesos tem crescido nos últimos anos. O mais alarmante é que isso se extrapola para as crianças também. Parte desse fenômeno é advinda da “educação” familiar, ou seja, o que é permitido como alimento dentro de casa, o quanto os pais aceitam o sedentarismo de seus filhos, etc. Já no caso de pais obesos isso se torna mais complicado, já que eles servem de exemplo/referência para seus filhos. O importante é que o filho seja instruído desde cedo sobre os riscos da má alimentação e do sedentarismo e que tenha bons exemplos a serem seguidos de seus próprios pais.

Fonte: Health Qual Life Outcomes. 2009 Jul 3;7:61.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Os Efeitos Do Treinamento De Força Na Musculatura Do Ombro


Sabemos que muitas pessoas, treinadas ou não, sofrem de dores/incômodos nos ombros. Traduzindo em números 7 à 27% dos indivíduos abaixo dos 70 anos de idade e 13.2 à 26% dos indivíduos acima dos 70 anos de idade sofrem desse problema. O treinamento de força pode ser usado tanto para prevenir como reabilitar algumas lesões oriundas dessa região.


Cientistas Australianos testaram várias pessoas que nunca executaram exercícios específicos para a musculatura dos ombros (especificamente o manguito rotador – conjunto de 4 músculos que ajudam na estabilização dessa região). Essas pessoas foram divididas em 2 grupos; um grupo que treinou 3 vezes por semana especificamente para o manguito rotador e um grupo que não treinou especificamente para essa musculatura.


Os pesquisadores também tinham como objetivo avaliar a perda de força nessa musculatura após um período de redução desse treino específico. O treinamento durou 12 semanas e foi seguido de um período de redução que também durou 12 semanas.


Os testes aconteceram antes, durante e depois desses períodos. Os resultados mostraram que o grupo que não treinou especificamente para o manguito rotador não mostrou ganhos de força nessa região, sendo que o grupo que realizou o treinamento específico obteve melhoras de força nessa musculatura.


A diminuição de 3 para apenas 1 vez por semana de treino específico (redução do treinamento específico) foi capaz de manter os ganhos de força obtidos durante o período em que o treinamento ocorreu com uma freqüência de 3 vezes na semana.


Os pesquisadores concluíram que tal programa específico serve para ganho e manutenção de força, além de prevenirem contra lesões, que são muito comuns nessa região, como também contribuírem na reabilitação da musculatura dessa região.


Dicas do Professor:


Como mencionado previamente nesse blog, muitas pessoas ativas sofrem de dores no ombro, dores que evoluem para lesões mais sérias e que muitas vezes tornam-se casos cirúrgicos.


Isso se dá devido ao fato de que o treinamento dessas pessoas ignora uma construção de um alicerce mais estável nas regiões mais susceptíveis a lesões, como é o caso do ombro.


Um trabalho de estabilização no manguito rotador e ganho de flexibilidade na articulação do ombro deve preceder um trabalho mais intenso de força. Isso fará com que o ombro suporte, de maneira mais segura, cargas mais intensas.


Está sentindo alguma dor e/ou incômodo no ombro avise imediatamente seu professor. Não permita que essa dor e/ou incômodo evolua.


Fontes:


Clin Biomech (Bristol, Avon). 2000;15 Suppl 1:S42-5.


Reumatismo. 2009 Apr-Jun;61(2):84-9.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Tendinopatia No Tendão De Aquiles De Corredores


Comparações entre corredores com tendinopatia no tendão de Aquiles e corredores sem tendinopatia mostram, biomecanicamente, diferenças significativas em algumas estruturas-chave colaborativas para esse tipo de lesão. Treinamento adequado para tais estruturas serve como prevenção.

Cientistas americanos dividiram corredores em 2 grupos; (1) grupo de corredores que tiveram tendinopatia. (2) grupo controle de corredores que nunca tiveram tendinopatia.

Após diversas medidas e análises biomecânicas com utilização de câmeras específicas, os cientistas puderam constatar, através de cálculos estatísticos, que os corredores com histórico de tendinopatia no tendão de Aquiles mostraram menor mobilidade na tíbia e no joelho.

Isso se dá, segundo os cientistas, pela diminuição na função dos músculos responsáveis pela mobilidade dessas estruturas, resultando em grande estresse sobre o tendão de Aquiles.

Os cientistas finalizam o estudo sugerindo que uma prescrição de treino que enfatize o fortalecimento dos membros inferiores, como também uma melhora do controle da tíbia, pode reduzir o risco do desenvolvimento da tendinopatia no tendão de Aquiles ou a melhora nessa estrutura para aqueles indivíduos que estão se reabilitando de tal tendinopatia.

Dicas do Professor:

O tendão de Aquiles é uma das estruturas mais lesionadas por aumento de volume nos corredores. Excessiva pronação pode levar a forças rotacionais contraditórias que agem diretamente no tendão de Aquiles. Movimentos conflitantes inter-articulações podem acentuar a rotação desse tendão.

Então, a conclusão dos cientistas se faz importante; é preciso um programa de exercícios que leve em consideração a flexibilidade, estabilização, força e resistência de diversas estruturas direta ou indiretamente ligadas à mecânica de corrida.

Portanto, previna-se antes de correr, principalmente se for correr altos volumes.

Fonte: J Orthop Sports Phys Ther. 2008 Dec;38(12):761-7.