terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Simpósio de Oftalmologia Esportiva

A primeira edição do Simpósio de Oftalmologia Esportiva será realizada de 19 a 21 de março de 2009 pelo Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Apoiado pelo Centro de Oftalmologia Esportiva da universidade, o encontro tem o objetivo de divulgar o conhecimento sobre as alterações morfofisiológicas oculares que ocorrem durante a atividade física e sobre os aspectos biodinâmicos, psicobiológicos e biomecânicos a elas relacionados.

Entre as palestras programadas estão “Aspectos bioquímicos no exercício físico e influência na função visual”, “Tomografia de coerência óptica e alterações morfofisiológicas oculares”, “Aspectos biomecânicos e percepção visual” e “Adaptações nas disfunções metabólicas na atividade física”.

As atividades serão realizadas no Teatro Marcos Lindemberg da Unifesp, na rua Botucatu, 862, em São Paulo.

Mais informações: www.oftalmologiaunifesp.com.br


domingo, 22 de fevereiro de 2009

Estilo de vida pouco saudável dobra risco de derrame, sugere estudo



Um estudo liderado pela Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, sugere que a adoção de um estilo de vida pouco saudável pode mais do que dobrar o risco de derrame.

Hábitos como fumar, consumir bebidas alcoólicas, fazer poucos exercícios e comer poucas frutas e verduras podem contribuir para a ocorrência de um derrame, de acordo com os especialistas.

Eles analisaram questionários preenchidos por cerca de 20 mil pessoas, entre homens e mulheres de 40 a 79 anos, ao longo de 11 anos. Um total de 599 teve derrame nesse período.

Os pesquisadores deram pontos para cada "comportamento saudável" que cada participante adotava e verificaram a pontuação daqueles que sofreram um derrame.

Entre as atitudes positivas estavam não fumar, beber dentro do limite recomendado pelas autoridades sanitárias britânicas, consumir até cinco porções de frutas e verduras por dia e ser fisicamente ativo.

Segundo o estudo, os que não marcaram nenhum ponto apresentaram uma probabilidade 2,3 vezes maior de sofrer um derrame do que os que alcançaram quatro pontos.

Para cada ponto a menos, havia um aumento da probabilidade de derrame, de acordo com os pesquisadores.

As pessoas que tiveram dois pontos, apresentaram uma probabilidade 1,58 vezes maior de sofrer um derrame, em relação aos que marcaram quatro pontos. Os que tiveram só um ponto tinham uma probabilidade 2,18 vezes maior.

Os autores do estudo admitiram que ele tem algumas limitações, mas sugerem que os resultados podem dar alguma sustentação à ideia de que pequenas diferenças no estilo de vida podem ter um impacto substancial no risco de derrame.

Pesquisas anteriores já haviam associado um estilo de vida pouco saudável ao desenvolvimento de doenças cardíacas. A relação entre estilo de vida e derrame ainda é pouco explorada pelos cientistas.


Fonte: O estudo foi divulgado em artigo publicado no "British Medical Journal".

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Gordura atrai gordura



Quem aprecia uma picanha malpassada e principalmente a camada branca de gordura que a envolve talvez se inquiete.


Um tipo de gordura – os ácidos graxos saturados de cadeia longa, encontrados principalmente em carnes vermelhas – pode ser uma das causas da obesidade.


De acordo com experimentos realizados em camundongos, essas moléculas acionam uma inflamação no hipotálamo, na base do cérebro, que leva à destruição dos neurônios que controlam o apetite e a queima de calorias.


Talvez isso possa tentar explicara a dificuldade das pessoas obesas controlarem a fome e perderem peso, mesmo que adotem dietas severas para emagrecer dizem os pesquisadores desse estudo, publicado em janeiro na revista científica Journal of Neuroscience.

Estudos anteriores haviam mostrado que a obesidade era uma doença que começava no cérebro ou nos músculos, induzida por dietas com excesso de açúcares ou de gorduras. Esse excesso gerava resistência ao hormônio insulina, que carrega a glicose para as células, onde é transformada em energia, e induz ao consumo contínuo de alimentos .


Testes com animais já haviam mostrado que dietas ricas em gordura em geral danificavam o hipotálamo mais intensamente que as ricas em açúcares.


Para ver qual tipo de gordura era mais danoso, os pesquisadores injetaram diferentes tipos de ácidos graxos de origem animal ou vegetal no hipotálamo de camundongos. Os encontrados no óleo de soja mostraram um efeito tênue sobre o cérebro, enquanto os encontrados em gorduras animais e em proporção menor no óleo de amendoim apresentaram ação mais danosa.

As moléculas de ácido graxo saturado se ligam a proteínas de superfície chamadas TLR-2 e TLR-4 de um tipo de células chamadas microglias, que protegem os neurônios do hipotálamo contra vírus e bactérias.


Uma vez acionadas, a TLR-2 e, em maior intensidade, a TLR-4 estimulam a produção de outras proteínas, conhecidas como citocinas. Normalmente, em outras partes do corpo, as citocinas estimulam a produção de anticorpos e de células especializados em combater vírus, bactérias e tumores. No hipotálamo, as citocinas produzidas desse modo destroem neurônios que controlam o apetite e a queima de calorias.


O que não se sabia era o que poderia disparar essa inflamação que leva à morte de neurônios.


A TLR-4 era um alvo antigo. Em experimentos anteriores, camundongos dotados de uma mutação genética que desliga essa proteína engordaram menos, sem desenvolver resistência à insulina, mesmo quando submetidos a uma dieta com excesso de lipídeos (gorduras).


O acionamento da TLR-4 explica também um fenômeno: a produção mais intensa que o normal de enzimas que impedem o funcionamento da insulina. Essa proteína representa agora a conexão entre dietas ricas em gorduras e o desenvolvimento da resistência à insulina, que pode facilitar o desenvolvimento de obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares. Até mesmo câncer pode se desenvolver mais facilmente em pessoas com peso acima do considerado saudável.


Uma pessoa é considerada com sobrepeso quando apresenta índice de massa corporal (IMC, obtido pela divisão do peso pelo quadrado da altura) de 25 a 29,9 kg/m2 e obesa com IMC igual ou superior a 30 kg/m2: assim, por exemplo, uma pessoa com 1,70 metro de altura é obesa se tiver mais de 87 quilos. De acordo com um levantamento do IBGE com base na população de 2003, 41,1% dos homens e 40% das mulheres apresentam sobrepeso e 8,9% dos homens e 13,1% das mulheres são obesos no Brasil.


Quem gosta de comer carne com gordura deve estar se perguntando o que fazer para evitar essa situação. Certamente, reduzir o consumo de gorduras pode ajudar, mas, outra vez, não há informação sobre qual a quantidade de gorduras começa a matar neurônios nem se essa cascata de reações pode ser contida ou revertida.


O obeso, cujo organismo refaz continuamente o ponto de equilíbrio, corre o risco de nunca mais voltar ao equilíbrio anterior, com peso estável.


A saída ainda distante seria encontrar medicamentos anti-inflamatórios capazes de agir somente no hipotálamo e em resposta a estímulos gerados apenas por ácidos graxos saturados de cadeia longa, para evitar que as células de defesa deixem de reagir quando apareça algum vírus ou bactéria.


Fonte: Revista Pesquisa Fapesp

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Genética da hipertensão



Um novo estudo internacional acaba de identificar as primeiras variantes genéticas envolvidas na hipertensão. As variantes podem representar uma estratégia para lidar com o problema.

Pressão alta (hipertensão arterial) é um dos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares e de outros problemas graves, como derrame e insuficiência renal.

Os autores do trabalho: Thomas Wang e colegas, do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue, realizaram uma ampla análise genômica de indivíduos europeus e identificaram duas variantes comuns que afetam a pressão sanguínea.

Essas variantes estão localizadas em genes que codificam proteínas produzidas pelo coração e pelos vasos sanguíneos, chamadas peptídeos natriuréticos, que regulam o processo de excreção de sal pela urina.

Desde a descoberta de que o coração secreta uma família de hormônios que atuam no relaxamento de vasos sanguíneos e promovem a remoção do excesso de sal – em uma resposta cardiovascular a algum tipo de estresse –, tem-se especulado que os peptídeos natriuréticos possam estar envolvidos na regulagem da pressão sanguínea em humanos.

Segundo a nova pesquisa, os efeitos que as variantes genéticas (chamadas NPPA e NPPB) podem ter na pressão sanguínea é muito significativo. Agentes terapêuticos que possam atuar no sistema de produção de peptídeos natriuréticos e que, portanto, resultem em tratamento eficiente contra a hipertensão já estão sendo avaliados na continuação do estudo.

Estudos feitos com animais em que o gene NPPA foi “nocauteado”, deixando de funcionar, apontaram um aumento na pressão sanguínea.

Segundo os autores, a hipertensão é comum entre pessoas de uma mesma família e algumas síndromes genéticas raras que elevam a pressão sanguínea já foram identificadas. Mas tem sido difícil estabelecer as bases genéticas comuns para esse problema que afeta 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.

O estudo alerta que, ainda é cedo para dizer que o exame de níveis de peptídeos natriuréticos ou de variantes genéticas possa diagnosticar o risco de hipertensão, mas no futuro poderá ser possível tratar pessoas com deficiência dessas proteínas com terapias que possam restaurar seus níveis normais e, com isso, reduzir o risco.

Provavelmente serão descobertos muitos outros genes que contribuem para alterações na pressão sanguínea. O maior desafio será compreender os mecanismos por trás desses efeitos.

Fonte: Association of common variants in NPPA and NPPB with circulating natriuretic peptides and blood pressure.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Desempenho Dos Músculos Inspiratórios Dos Atletas De Endurance e De Sedentários


Pesquisadores Australianos procuraram avaliar se um treinamento de resistência geral estava associado com um aumento na força e na resistência dos músculos inspiratórios.


Seis maratonistas e seis indivíduos sedentários foram mensurados nas seguintes valências: Força dos músculos respiratórios; pressão inspiratória máxima e resistência (limiar progressivo de carga dos músculos inspiratórios).


Eles constataram que a pressão inspiratória máxima foi similar entre esses dois grupos, mas o limiar de pressão máxima foi maior nos maratonistas. Durante o aumento de intensidade (limiar progressivo de carga dos músculos inspiratórios), os maratonistas respiravam em uma freqüência menor, com um volume de ar maior, e tinham tempos de inspiração e expiração mais longos.


Quando a intensidade foi máxima para os dois grupos (com a utilização da escala de Borg), a saturação arterial de 02 foi mais baixa nos maratonistas, sendo que a eficiência dos músculos respiratórios foi similar entre os dois grupos.


Foi concluído então que o aumento aparente na resistência dos músculos respiratórios dos atletas de endurance nada mais é do que uma conseqüência da diferença entre os padrões (ritmos) de respiração adotados por cada indivíduo conforme a intensidade do exercício aumenta, ao invés de uma maior força ou eficiência dos músculos respiratórios.


Portanto, isso implica que o mecanismo sensório - e não o condicionamento dos músculos respiratórios - se mostra um mecanismo importante pelo qual a resistência geral é melhorada.


Fonte: Respirology. 2001 Jun;6(2):95-104.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Fatores De Risco E Mecanismos De Lesões No Joelho De Corredores



Milhões de pessoas participam de provas de rua todos os anos. Só nos EUA, o número de participantes chega a 36 milhões a cada ano, sendo que 100 milhões correm, pelo menos, 100 dias por ano.

Apesar das lesões advindas da corrida serem bem entendidas pela medicina do esporte, os fatores potenciais de risco não são. Isto exposto, um estudo americano buscou investigar fatores de risco comportamentais e fisiológicos que influenciam os mecanismos para o potencial de lesão no joelho, incluindo forças de articulação e momentum do joelho.

Vinte indivíduos com a idade entre 20 e 55 anos foram submetidos a testes de flexibilidade nos isquiotibiais (posterior da coxa), quadríceps, além do peso e altura para ajustes. A carga na articulação do joelho também foi medida, assim como a força concêntrica e excêntrica da extensão do joelho.

Depois das correlações e dos cálculos estatísticos, foi concluído que os joelhos cujas cargas em suas articulações foram maiores estavam relacionados com os seguintes fatores:

- Maior peso corporal
- Pouca flexibilidade nos isquiotibiais (posterior da coxa)
- Maior força muscular
- Maior distância percorrida por semana

A maioria dos fatores de risco citados acima poderia ser potencialmente modificada para reduzir a aumento da carga na articulação do joelho, reduzindo assim o risco de lesão nessa região.

Fonte: Med Sci Sports Exerc. 2008 Oct 8. [Epub ahead of print]

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Lesões No Ombro De Praticantes de Atividade Física: Um Problema Constante



Problemas no ombro decorrentes da prática inadequada da atividade física são constantemente relatados na literatura e é comum observamos isso em praticantes de academia. Foi pensando nesse problema que cientistas da Flórida – EUA sentiram que havia necessidade de estudar e descrever os riscos de lesões no ombro pertinentes à prática da atividade física.


A articulação e as características dos músculos do ombro de indivíduos freqüentadores de academia foram investigadas para determinar adaptações específicas relacionadas a riscos que podem ocorrer para esses participantes.


Noventa pessoas participaram do estudo, sendo que 60 foram submetidas a diversos exercícios para membros superiores e as outras 30 não foram submetidas a nenhum exercício ou estresse para essa mesma região do corpo.


As variáveis analisadas pelos cientistas foram:


- Amplitude de movimento na articulação do ombro
- Tensão na parte posterior do ombro
- Peso corporal ajustado para os valores de força
- Comparação de força dos músculos agonistas/antagonistas entre os grupos de pessoas


Após a análise estatística dos dados constatou-se:


1 – O grupo de 60 pessoas que participaram de exercícios para os membros superiores diminuiu a mobilidade de todos os movimentos dos ombros (exceto na rotação externa, que foi maior para o grupo de 60 pessoas), comparado com o grupo das outras 30 pessoas.


2 – Os músculos agonistas/antagonistas se apresentaram mais fortes para o grupo de 60 pessoas, porém demonstraram desequilíbrios musculares maiores do que os apresentados para o grupo que não se exercitou.


Tais fatores sugerem que os participantes de atividade física que se exercitam inadequadamente estão predispostos a desequilíbrios de força e mobilidade no ombro como resultado de seus treinamentos. Tais desequilíbrios estão relacionados com problemas/lesões no ombro de indivíduos “normais” ativos e também nos atletas. Então, esses desequilíbrios colocam essas pessoas em risco de lesão no ombro.


Esse problema todo recai no tipo de treinamento que é prescrito a esses indivíduos. A maioria dos treinamentos contém exercícios para grandes grupos musculares, feito de forma multi-articular (ex. Supino), e, na maioria dos casos, o treinamento para os músculos estabilizadores dessa região (ex. Manguito Rotador) é totalmente inexistente.


Portanto, a seleção dos exercícios de uma maneira progressiva é de extrema importância. Não significa que a pessoa não possa estar executando o Supino, por exemplo, significa apenas que ela deve se preparar para poder executar esse (e outros mais complexos) exercício de forma segura.


Deve-se optar, então, por exercícios que atenuam esse desequilíbrio de força e mobilidade visando a prevenção de lesões.


Os responsáveis pela prescrição do treino devem considerar os estresses biomecânicos e as adaptações associadas aos não-atletas praticantes de atividade física quando estão prescrevendo-lhes exercícios, principalmente para as regiões mais suscetíveis a lesões, como a região do ombro.


Fonte: J Strength Cond Res. 2009 Jan;23(1):148-57