quarta-feira, 30 de abril de 2008

Exercício físico e função cognitiva: uma revisão

RESUMO

O exercício e o treinamento físico são conhecidos por promover diversas alterações, incluindo benefícios cardiorrespiratórios, aumento da densidade mineral óssea e diminuição do risco de doenças crônico-degenerativas.

Recentemente outro aspecto tem ganhando notoriedade: trata-se da melhoria na função cognitiva.

Embora haja grande controvérsia, diversos estudos têm demonstrado que o exercício físico melhora e protege a função cerebral, sugerindo que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de serem acometidas por desordens mentais em relação às sedentárias.

Isso mostra que a participação em programas de exercícios físicos exercem benefícios nas esferas física e psicológica e que, provavelmente, indivíduos fisicamente ativos possuem um processamento cognitivo mais rápido.

Embora os benefícios cognitivos do estilo de vida fisicamente ativo pareçam estar relacionados ao nível de atividade física regular, ou seja, exercício realizado  durante toda a vida, sugerindo uma "reserva cognitiva", nunca é tarde para se iniciar um programa de exercícios físicos.

Dessa forma, o uso do exercício físico como alternativa para melhorar a função cognitiva parece ser um objetivo a ser alcançado, principalmente em virtude da sua aplicabilidade, pois se trata de um método relativamente barato, que pode ser direcionado a grande parte da população.

Assim, o objetivo da presente revisão é o de discutir os aspectos associativos entre exercício físico e função cognitiva, permitindo uma ponderação entre o seu uso enquanto alternativa  e elemento coadjuvante.

Arquivo todo em

http://www.portaleducacao.com.br/arquivos/arquivos_sala/media/objeto_de_aprendizagem_funcao_cognitiva.pdf


domingo, 27 de abril de 2008

Controle Motor: músculos globais e locais

Hoje em dia controle motor é a nova “sensação” na área de reabilitação de pacientes com dor lombar crônica, problemas de ombro e também da articulação patelo-femoral (joelho).

Mas o que significa controle motor?

De uma forma simplificada, controle motor é a utilização dos músculos adequados/específicos para um determinado movimento ou função.

Em outras palavras, o sistema neuromuscular esquelético objetiva ser o mais eficiente possível com o recrutamento do menor número de músculos e unidades motoras necessários para uma determinada atividade.

Obviamente, um bom controle motor não só reabilita pacientes mas também previne lesões e melhora o rendimento de atletas.

Músculos globais e locais, também chamados de motores primários e acessórios ou geradores de torque (movimento) ou estabilizadores diferem entre si principalmente em relação a capacidade de produzir torque.

Torque nada mais é do que o produto entre força e a distância que essa força é aplicada em relação ao centro de rotação (T = F x d).

No caso do corpo humano o torque depende da força gerada pelos músculos (com influência também do sistema nervoso) e da distância que essa força é aplicada com relação ao centro de rotação da articulação.

Essa distância é chamada de distância perpendicular do músculo.

Tomemos como exemplo a articulação gleno-umeral (ombro). É de conhecimento de todos que os músculos do manguito rotador (infra-espinhal, supra-espinhal, redondo menor e subescapular) proporcionam estabilidade para essa articulação.

Esses músculos, além de apresentarem menor número de fibras (portanto menor produção de forca) se inserem proximalmante ao centro de rotação da articulação, diminuindo a capacidade de produção de torque significativamente.

Devido à pequena distância perpendicular desses músculos, suas linhas de ação proporcionam compressão da articulação, conseqüentemente proporcionando maior estabilidade. Isto caracteriza os músculos estabilizadores ou músculos locais.

Já os músculos: deltóide, peitoral maior, Latíssimo do Dorso e redondo maior são exemplos de músculos globais da articulação gleno-umeral.

A inserção desses músculos é mais afastada da articulação o que favorece a geração de torque devido a sua maior distância perpendicular.

De que forma esses conceitos básicos de biomecânica se aplicam ao treinamento físico?

Essencialmente, precisamos dos músculos globais para geração de torque para que possamos nadar mais rápido, ter um ataque mais potente no vôlei ou arremessar o dardo o mais longe possível.

Entretanto, se a articulação não for bem estabilizada pelos músculos locais a eficiência e a capacidade de produção de torque dos músculos globais será afetada, pois a articulação estará instável.

Maior instabilidade gera maior variância do centro de rotação da articulação, podendo acarretar lesões e diminuição do rendimento do atleta.

Baseado nos conceito apresentados acima e na minha experiência como preparador físico, acredito firmemente que o treinamento funcional (multidirecional) deve ser incorporado ao treinamento de atletas de alto rendimento, não apenas com o objetivo de prevenir lesões mas também de melhorar o rendimento do atleta.

Fontes:

Wendell P. Liemohn - Measuring Core Stability -The Journal of Strength and Conditioning Research: Vol. 19, No. 3, pp. 583–586.

Robert Stanton and Peter R. Reaburn; The Effect of Short-Term Swiss Ball Training on Core Stability and Running Economy - The Journal of Strength and Conditioning Research: Vol. 18, No. 3, pp.

Paul W.M. Marshall and Bernadette A. Murphy; Increased Deltoid and Abdominal Muscle Activity During Swiss Ball Bench Press - Journal of Strength and Conditioning Research, 2006, 20(4), 745–750 2006 National Strength & Conditioning Association

sábado, 26 de abril de 2008

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial

Hoje é dia de prevenção e combate a hipertensão, reuni aqui algumas informações interessantes a respeito desse problema que atinge uma ampla maioria da população e que é praticamente invisível, só apresentando sintomas quando o problema já esta grave. Portanto ter cuidado e informação é sempre bom!

A hipertensão arterial é a chamada pressão alta. Ocorre quando há um aumento da força com que o sangue circula nos vasos sangüíneos. A hipertensão freqüentemente está associada à obesidade, pois o excesso de peso significa mais esforço para os órgãos.

Na maioria dos casos, a pressão alta não apresenta sintomas. Entretanto, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, dor no peito, sangramento nasal e fraqueza podem ser sinais de alerta. Quando não controlada, pode causar problemas no coração, nos rins, na visão e no cérebro.

Fatores de Risco:

  • O consumo excessivo de sal pode causar o aumento da pressão arterial.
  • O aparecimento da hipertensão é mais comum na fase adulta e em pessoas idosas.
  • O consumo de álcool pode aumentar a pressão arterial, além de dificultar o tratamento.
  • O fumo aumenta o risco de problemas cardiovasculares, principalmente em pessoas hipertensas.
  • A obesidade prejudica o controle da pressão arterial e faz o coração trabalhar mais.
  • Uma vida com stress pode levar a pessoa a desenvolver a hipertensão.
  • A falta de atividade física contribui para o aumento da pressão arterial.
  • Os portadores de diabetes estão mais propensos a desenvolver a hipertensão.

Hipertensão no Brasil: Diagnóstico médico prévio de hipertensão arterial

No sexo masculino, as maiores freqüências foram observadas em Recife (22,5%), Belo Horizonte (22,7%) e Vitória (23,1%) e as menores em Florianópolis (14,9%), Palmas (14,9%) e Brasília (15,5%). Entre mulheres, as maiores freqüências foram observadas em Recife (26,8%), Salvador (27,3%) e Rio de Janeiro (28,0%) e as menores em Palmas (15,3%), Teresina (18,4%) e Manaus (19,2%).

Gênero

O levantamento aponta que mais mulheres (24,4%) do que homens (18,4%) referem o diagnóstico médico prévio de hipertensão arterial. Em ambos os sexos, o diagnóstico de hipertensão arterial se torna mais comum com a idade, alcançando cerca de 5% dos indivíduos entre os 18 e os 24 anos de idade e mais de 50% na faixa etária de 65 anos ou mais de idade.

Dicas para melhorar sua alimentação:

  • Reduzir o consumo de sal, inclusive para as crianças. Retire o saleiro da mesa.
  • Dê preferência aos alimentos frescos, como frutas, legumes e verduras.
  • Utilize temperos naturais, como tomate, cebola, alho cheiro verde, orégano e louro.
  • Evite frituras, alimentos industrializados, salgadinhos.
  • Ao usar adoçante, evite os ciclamatos e sacarinas, porque contém sódio.
  • Verifique sempre o rótulo dos alimentos e observe a presença e quantidade de sódio.

Outras dicas para uma vida mais saudável:

  • Controle seu peso. Procure um nutricionista.
  • Não fume, pois o cigarro aumenta o risco de doenças cardiovasculares.
  • Reduza a ingestão de bebidas alcoólicas, pois o excesso faz a pressão arterial subir.
  • Beba no mínimo dois litros de líquidos por dia, água sem gás, sucos ou refrescos, porém fora das refeições.
  • Faça atividade física regularmente, a caminhada pode ajudar, consulte um profissional habilitado.
  • Não tome remédios e não interrompa sua medicação sem orientação médica.
  • Evite o uso de produtos com bicarbonato de sódio (antiácidos).
  • Coma alimentos ricos em potássio, caso esteja usando medicamento diurético.
  • O stress pode agravar a hipertensão, desta forma, procure uma atividade de relaxamento que lhe dê prazer. Bom humor faz bem a saúde. Sorria!
Fontes:
Ministério da Saúde: “Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão”
Servidor Público.net: “26 de abril dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão

sexta-feira, 25 de abril de 2008

I.M.C versus R.C.Q.


Um amplo estudo tipo caso-controle, envolvendo 27 mil pessoas de 52 países, de todos os continentes, mostrou que a relação cintura-quadril (RCQ) é preditora mais forte do risco de infarto do miocárdio do que o índice de massa corpórea (IMC), mais usado internacionalmente.

O trabalho canadense mostrou que em qualquer etnia, nível de desenvolvimento do país, ou seja, qual for a característica do indivíduo, a RCQ é o marcador mais fortemente relacionado com o evento do primeiro infarto do miocárdio.

O índice de massa corpórea é um bom preditor de risco para doença cardiovascular.

No entanto, para análise do risco de infarto do miocárdio especificamente, a medida da cintura e, principalmente, a razão entre as medidas da cintura e do quadril (a RCQ) correlacionou-se mais fortemente com os eventos de infarto, não importando nem o sexo, nem a idade, região de origem e nem outros marcadores de risco para doença cardiovascular, como os encontrados em exames laboratoriais.

As pessoas com medidas da RCQ no maior quintil tinham 2,52 vezes mais chances de ter infarto, comparados com os que tinham medidas no primeiro quintil (p> 0,0001).

“Já o IMC estava apenas ligeiramente maior nos casos de infarto que nos controles”, comentaram os autores. Isso quer dizer que, além do peso inadequado para a altura, o lugar onde a gordura se deposita é importante.

“Nosso trabalho mostra que a RCQ é a medida antropométrica mais fortemente associada com o risco de infarto, e substancialmente melhor que o IMC. Nossos resultados sugerem que novas análises são necessárias sobre a importância da obesidade para a doença cardiovascular nas diferentes regiões do mundo”.

Fonte :

Yusuf S, Hawken S, Ounpuu S, Bautista L, Franzosi MG, Commerford P, et al. Obesity and the risk of myocardial infarction in 27,000 participants from 52 countries: a case-control study. Lancet. 2005;366(9497):1640-9.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Reabilitação cardíaca

Segundo a Organização Mundial da Saúde, reabilitação cardíaca é o somatório das atividades necessárias para garantir aos pacientes portadores de cardiopatia as melhores condições física, mental e social, de forma que eles consigam, pelo seu próprio esforço, reconquistar uma posição normal na comunidade e levar uma vida ativa e produtiva.

Há quatro décadas, quando esta definição foi estabelecida, os pacientes acometidos de infarto do miocárdio apresentavam grande perda da capacidade funcional, mesmo após serem submetidos ao tratamento daquela época, que implicava até 60 dias de repouso no leito.

Por ocasião da alta hospitalar, os pacientes encontravam-se fisicamente mal condicionados, sem condições para retornar às suas atividades familiares, sociais e profissionais.

 Os programas de reabilitação cardíaca foram desenvolvidos com o propósito de trazer esses pacientes de volta às suas atividades diárias habituais, com ênfase na prática do exercício físico, acompanhada por ações educacionais voltadas para mudanças no estilo de vida.

Atualmente, as novas técnicas terapêuticas permitem que a maioria dos pacientes tenha alta hospitalar precocemente após infarto, sem perder a capacidade funcional.

Excluem-se desta condição os pacientes com comprometimento miocárdico grave e instabilidade hemodinâmica, distúrbios importantes do ritmo cardíaco, necessidade de cirurgia de revascularização miocárdica ou outras complicações não-cardíacas.

 Nos últimos anos, foram descritos inúmeros benefícios do exercício regular para portadores de cardiopatia, além da melhora na capacidade funcional.

 A Sociedade Brasileira de Cardiologia em sua “Diretriz de reabilitação cardíaca” aborda o papel da reabilitação cardíaca com especial ênfase no treinamento físico, ressaltando os seus efeitos cardiovasculares e metabólicos, os seus benefícios, indicações e contra-indicações (ver referência).

Em relação aos aspectos operacionais da reabilitação cardíaca, recomendo a leitura da recente publicação da Sociedade Brasileira de Cardiologia “Normatização dos equipamentos e técnicas da reabilitação cardiovascular supervisionada” 

Fonte:

Arquivos Brasileiros de Cardiologia - Volume 84, nº 5, Maio 2005

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A inteligência emocional aplicada ao esporte

Atleta profissional precisa primeiramente conhecer suas emoções para então ter diferencial em seu trabalho
DO SITE
Cidade do Futebol


No livro “Inteligência Emocional”, lançado no Brasil pela editora Objetiva, o psicólogo Daniel Goleman classifica o controle emocional como o diferencial entre sucesso e fracasso na vida de qualquer um. Segundo o autor, “a incapacidade de observar nossos próprios sentimentos nos deixa à mercê deles”. Portanto, a preparação no aspecto psicológico pode ser um fator preponderante para o desempenho esportivo.

“A inteligência emocional caracteriza a maneira como as pessoas lidam com suas emoções e com as das pessoas ao seu redor. Isto implica autoconsciência, motivação, persistência, empatia e entendimento e características sociais como persuasão, cooperação, negociações e liderança. Esta é uma maneira alternativa de ser esperto, não em termos de QI, mas em termos de qualidades humanas do coração”, explica Goleman em seu livro.

Para um atleta atingir um estágio de inteligência emocional, contudo, ele precisa atender a cinco aspectos. Só a partir disso é que ele pode garantir que o lado psicológico não vai ter interferência em seu rendimento em campo.

O primeiro ponto fundamental para a inteligência emocional no futebol é o atleta conhecer seus sentimentos. As pessoas que se conhecem se sentem mais à vontade para tomar decisões e isso só acontece com um processo contínuo de atenção, paciência e dedicação.

Depois de conhecer suas emoções, o atleta profissional precisa saber lidar com isso. A inteligência emocional torna fundamental um controle da irritabilidade e da ansiedade, bem como uma aceitação perante aos problemas ou simplesmente sentimentos negativos.

Outro ponto importante para um atleta atingir um estágio de inteligência emocional é a capacidade de se automotivar. O esportista mais bem sucedido invariavelmente é o que consegue utilizar suas emoções para se aproximar das metas.

É só a partir do controle emocional e da manutenção da motivação que um atleta consegue reprimir a impulsividade e manter a meta como diretriz principal de sua carreira e sua vida.

O quarto aspecto fundamental para a inteligência emocional é a empatia (reconhecer as emoções dos outros). Segundo Goleman, aliás, essa é a aptidão pessoal mais importante para qualquer relacionamento.

A empatia gera altruísmo e faz com que as pessoas estejam muito mais suscetíveis aos problemas dos outros, sempre prontos para manipular as emoções de uma forma positiva.

Para terminar, o quinto ponto importante para a inteligência emocional é admitir as diferenças dos outros e aprender a conviver com essa diferença. A interação entre pessoas psicologicamente distintas sem que aja uma agressão (psicológica) entre elas é um desafio que só pode ser alcançado a partir de um comportamento que possibilite desabafar e ouvir sempre que preciso.

Bibliografia



FRANCO, Gisela Sartori. Psicologia no esporte e na atividade física – uma coletânea sobre a prática com qualidade. São Paulo, 2000.

sábado, 19 de abril de 2008

Doença de Chagas

A doença de Chagas permanece um grave problema de saúda pública na América Latina.

Dados da OMS estimam em 16 a 18 milhões o número de infectados na América Latina, dos quais 5 milhões no Brasil.

Cerca de 30% dos pacientes infectados evoluem para cardiopatia chagásica crônica, forma clínica mais freqüente e de mais elevada morbimortalidade. 

Nesta cardiopatia o grau de acometimento cardíaco é bastante variável, e uma parcela significativa dos pacientes pode evoluir para insuficiência cardíaca (ICC).

Recentemente uma nova classificação da ICC, baseada em estágios, foi proposta pela Associação Americana do coração (AHA) e pelo Colégio Americano de Cardiologia (ACC), e tem recebido grande aceitação.

Nesta classificação, são incluídos nos estágios:

Estágio A os pacientes com fatores de risco para ICC (ex: hipertensão arterial, diabetes mellitus, doença coronariana, abuso de álcool, história familiar de cardiomiopatia), mas ainda sem evidências de cardiopatia estrutural e sem sinais clínicos de ICC;

Estágio B, os pacientes que já desenvolveram cardiopatia estrutural (ex: hipertrofia ou dilatação de Ventrículo Esquerdo, disfunção contrátil de qualquer grau, infarto do miocárdio prévio), mas ainda sem sinais de ICC;

Estágio C, incluídos os pacientes com cardiopatia estrutural que apresentam ou já apresentaram sinais ou sintomas de insuficiência cardíaca; 

Estágio D, os pacientes com insuficiência cardíaca avançada, que permanecem muito sintomáticos apesar da medicação e que requerem intervenções especializadas.

A doença de Chagas, excluída da classificação original da ACC/AHA, ainda carece de uma classificação moderna, com implicações prognósticas e terapêuticas, que possa ser aceita e utilizada por todos.

Pelas características de sua história natural, a doença de Chagas pode ser um bom modelo para aplicação da nova classificação de ICC.


Fonte:

http://www.acc.org

ACC / AHA Guidelines for the evaluation and management of cronic heart failure in the adult. 2001

terça-feira, 15 de abril de 2008

Importância das curvaturas fisiológicas da coluna vertebral

As curvaturas fisiológicas da coluna tem a função de aumentar a flexibilidade e a capacidade de absorver choques e, ao mesmo tempo manter a tensão e a estabilidade adequada das articulações intervertebrais.

Em posição ereta normal a gravidade é suportada pelos arcos anteriores das vértebras, enquanto os arcos posteriores ficam livres de todo o peso, ou seja, o arco anterior tem a função de sustentação.

Sendo assim uma diminuição da curva lombar tem-se uma menor resistência à carga, que é descarregada nos arcos anteriores e nos discos intervertebrais, que ficam sobrecarregados e podem diminuir de espessura.

As curvaturas fisiológicas da coluna aumentam a resistência aos esforços de compressão axial; pois temos que a resistência de uma coluna é proporcional ao quadrado do número de curvaturas mais um.

Possuímos em nossa coluna vertebral três curvaturas móveis (lordose cervical, cifose torácica e lordose lombar) então sua resistência é dez vezes maior que uma coluna retilínea.

Outra forma de medir a importância das curvas fisiológicas da coluna é por meio do índice raquidiano de Delmas, que consiste na relação do comprimento entre o platô da primeira vértebra sacral até o atlas, e a altura entre o platô superior de S1 e o atlas.

Uma coluna vertebral com curvaturas normais possui um índice raquidiano de Delmas de 95%. Uma coluna que possua curvaturas acentuadas (indicativo de tipo funcional dinâmico) possui índice raquidiano de Delmas menor que 94%; e uma coluna com curvaturas pouco acentuadas (caracteriza um tipo funcional estático) possui índice de Delmas maior que 96%.

As curvas se tornam mais móveis quanto mais exageradas, e mais rígidas quanto mais retificadas e existe consenso na literarura que as vértebras de transição entre as curvaturas são normalmente as de maior mobilidade e mais susceptíveis à lesões.

No plano sagital existe quatro curvaturas na coluna vertebral: A mais superior é a lordose cervical, de concavidade posterior; em seguida temos a cifose torácica, de convexidade posterior; e a lordose lombar, de concavidade posterior; por último, temos a curvatura sacral fixa de concavidade anterior.

As cifoses têm a função de proteger os órgãos. Como é o caso da cifose craniana que protege o encéfalo, a cifose torácica que protege os órgãos da caixa torácica, cifose sacral que protege os órgãos da pelve menor, e por último temos a cifose do calcâneo.

As lordoses são diferentes das cifoses, e tem a função de movimento. Por esse motivo, anteriormente, nas lordoses existem músculos potentes. Como é o caso do reto abdominal na frente da lordose lombar, dos músculos flexores do pescoço na frente da lordose cervical, e dos quadríceps na frente do joelho.

As cifoses por serem regiões de pouca mobilidade, servem como ponto fixo das cadeias musculares, ou seja, quando os músculos se contraem eles se fixam nas cifoses para movimentar as lordoses, ou são encarregados de controlar os movimentos das lordoses.

Fontes: 

Okuno, Emico - Desenvolvendo a física do corpo humano. Barueri, SP: Manole, 2003

Settineri, L.C.I - Biomecânica. Noções Gerais. Rio de Janeiro, RJ: Atheneu, 1988

Wirhed, R. - Atlas de anatomia do movimento.  São Paulo, SP: Manole, 1986

Kapandji AI. Coluna Lombar. Fisiologia Articular vol. 3. 5ª ed. São Paulo: Guanabrara Koogan 2000

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Melhor desempenho na ponta da Agulha – ACUPUNTURA.

A palavra acupuntura origina-se das expressões em latim acus (agulha) e punctura (puncionar). Ou seja, é uma técnica milenar baseada na inserção de agulhas na pele, em diferentes profundidades do tecido e em pontos estratégicos do corpo.

Formado pela Santa Casa de São Paulo, diretor da comunicação da Associação Médica Brasileira de Acupuntura e membro do Colégio Médico de Acupuntura, Wilson Tadeu Ferreira trata diversos atletas saudáveis que desejam render mais durante a prática esportiva.

Os pontos ativados liberam endorfina e serotonina, aliviando a dor e aumentando a disposição e desempenho dos atletas de uma maneira indireta.

O especialista Hong Jin Pai, formado pela Faculdade de Medicina da USP e um dos fundadores da SMBA-SP (Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura de São Paulo) também destaca que a estimulação de endorfina e serotonina libera o cortisol, hormônio este com efeitos antiinflamatórios.

Logo, uma sessão de acupuntura após o treino, aumentaria a velocidade de recuperação do atleta.

Em um estudo feito com atletas Velocistas de Alto Rendimento (LUNA e FERNANDES FILHO, 2005) submetidos a 2 sessões de acupuntura por semana, obtiveram respostas positivas quanto às variáveis velocidade, resistência anaeróbica, força máxima dinâmica e força explosiva.

Pode-se concluir que a Acupuntura deixou de ser apenas uma técnica utilizada em pacientes com traumas físicos e doenças neuromusculares.

Ela já está bem difundida na rotina atlética de condicionamento físico no Brasil e em outros países.

Fonte:
Revista O2 – Nov. 2007
LUNA, M. P., FILHO, J. F. Acupuntura em Velocistas. Fitness & Performance Journal, Rio de Janeiro, v. 4, n. 4, p. 199 a 214, Julho/Agosto 2005.
http://luna.med.br/artigos.htm

terça-feira, 8 de abril de 2008

Qual o efeito desejado?

Uma das mais importantes tendências contemporâneas na área de atividade física é a do planejamento do treinamento levando em conta as características do indivíduo e de suas atividades do cotidiano, avaliando as exigências diárias e prescrevendo exercícios que tenham impacto positivo sobre as diferentes capacidades necessárias para fazerem frente a essas demandas.

Dentre as diferentes capacidades neuromotoras, a FORÇA MUSCULAR é uma das mais importantes, e deve fazer parte de todo programa de treinamento.

Desnecessário dizer que mesmo nas atividades do cotidiano realizadas por indivíduos não envolvidos com esportes de competição, a força muscular tem um papel central.

Mas todo treinamento de força provoca efeitos similares?

Na verdade, há diferentes MANIFESTAÇÕES DA FORÇA MUSCULAR, cada qual respondendo de maneira diferente a um determinado estímulo de treinamento.

Se considerarmos um continuum que vai da força máxima à força reativa, poderíamos encontrar ao menos seis zonas claramente distintas, representando essas diferentes manifestações.

O que é interessante é a ausência de relação entre elas, o que faz com que a análise das demandas funcionais seja extremamente importante para que se selecione o tipo de treinamento de força mais adequado para cada pessoa.

Particular atenção deve ser dada à técnica de execução, monitoramento do tempo de execução, amplitude de movimento, sequência de exercícios, volume, repouso, respiração, postura correta, entre outras, pois as manifestações desta capacidade se diferenciam através desses fatores.

Qual a posição correta do meu corpo frente ao exercício realizado?

Em que velocidade devo executar tal exercício, em toda sua amplitude de movimento?

Estou respirando corretamente?

Qual o objetivo de três séries de 10 repetições?

Alguém já se preocupou com tais questões?


sábado, 5 de abril de 2008

Índice de Massa Corporal (IMC) e risco de doenças

O IMC, porém, apesar de ter uma acurácia razoável na determinação da presença ou do grau de obesidade frente a inquéritos populacionais, apresenta alguns problemas quando utilizado individualmente.

O IMC não é capaz de distingüir gordura central de gordura periférica, o IMC não distingue massa gordurosa de massa magra, podendo superestimar o grau de obesidade em indivíduos musculosos e mesmo edemaciados (Tabela 1).

De modo geral, esses problemas são facilmente contornados, uma vez que a inspeção e exame físico do aluno cabalmente denotarão se o aumento de massa deve-se a hipertrofia de musculatura ou edema.

Algumas populações asiáticas apresentam aumento de adiposidade e agregam fatores de risco cardiovasculares mesmo na presença de IMC normal.

Por isso, é necessário e prudente obter os limites entre subnutrição, peso saudável e os diversos graus de obesidade para cada população, particularmente frente a diferentes grupos étnicos que podem apresentar biotipo e conformação corpórea distintos.

Tabela 1. Classificação da obesidade segundo o índice de massa corpórea (IMC) e risco de doença (Organização Mundial da Saúde).

IMC (kg/m2)

Classificação

Obesidade grau

Risco de doença

<18,5>

Magreza

0

Elevado

18,5-24,9

Normal

0

Normal

25-29,9

Sobrepeso

I

Elevado

30-39,9

Obesidade

II

Muito elevado

>40,0

Obesidade grave

III

Muitíssimo elevado

Fonte:OBESO – Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Sindrome Metabólica.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Pontos-gatilho miofasciais (Trigger Points)

É comum apalparmos um músculo, principalmente os que se encontram na região superior das costas (mm trapézio), e localizarmos pontos sensíveis cujo, tecido nesses pontos se apresentam mais rígido que os circundantes formando um “nó”.

Por definição, um ponto-gatilho é um local no músculo altamente irritável que se apresenta rígido à palpação e que produz dor, limitação na amplitude de alongamento, fraqueza sem atrofia e sem déficit neurológico.


Os pontos-gatilho são instalados num músculo toda vez que este for sobrecarregado e exigido além da sua capacidade de tolerância no momento.

Uma vez instalado ele pode ficar em estado de latência por muito tempo, às vezes anos, até ser ativado.

Para ativá-lo basta apenas que se some a ele uma situação de stress físico e/ou emocional e uma nova sobrecarga do músculo.

Quando ativado ele produz um espasmo doloroso em algumas fibras do músculo.

A situação se complica quando o sistema nervoso, recebendo o sinal de dor, intervém exigindo que o músculo se contraia, numa tentativa de defendê-lo.

Esta nova contração sobre o espasmo doloroso produz mais dor.

Fecha-se então um ciclo vicioso em que quanto mais dor for produzida pela contração, mais contração o sistema nervoso pede ao músculo.

E o que começou com algumas fibras, logo envolve o músculo inteiro e até mesmo outros próximos, abrangendo toda uma região.

Como exemplo disso temos então um torcicolo ou uma lombalgia.